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Ministros adotam interpretação dos direitos dos imigrantes na UE

Ministros adotam leitura mais flexível da Convenção Europeia de Direitos Humanos, potencialmente facilitando deportações para centros de retorno, provocando críticas por enfraquecer direitos

Moldávia sedia sessão do Comitê de Ministros do Conselho da Europa 15 de maio de 2026 REUTERS/Vladislav Culiomza
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  • Ministros europeus aprovaram uma nova interpretação da Convenção Europeia de Direitos Humanos, apresentada na reunião do Comitê de Ministros na Moldávia.
  • A mudança pode facilitar deportações de imigrantes, incluindo para “centros de retorno” em países terceiros.
  • Críticos afirmam que a leitura enfraquece a proteção dos direitos humanos, especialmente nos artigos que tratam de tortura, tratamento desumano e vida privada/familiar.
  • A interpretação do artigo três considera a proibição de tortura como absoluta, mas admite avaliação relativa do mínimo de gravidade dependendo das circunstâncias.
  • Sobre o artigo oito, a declaração permite expulsões de estrangeiros desde que haja objetivo legítimo e “razões fortes” para sustentar a decisão, mantendo a supervisão da Corte Europeia de Direitos Humanos.

O Conselho da Europa aprovou uma nova interpretação da Convenção Europeia de Direitos Humanos durante a sessão anual dos Ministros, realizada na Moldávia. A mudança pode facilitar deportações, incluindo a transferência para centros de retorno em países terceiros. A leitura tem sido alvo de críticas por especialistas que apontam riscos para a proteção de direitos humanos.

A decisão envolve o artigo 3, que trata da proibição de tortura e de tratamento desumano ou degradante, e o artigo 8, relativo à vida privada e familiar. O texto aprovado autoriza cooperação com países terceiros em imigração, desde que respeitem a Convenção de Direitos Humanos.

Segundo a interpretação adotada, a proibição de tortura permanece absoluta. No entanto, o documento sustenta que a avaliação do nível mínimo de gravidade pode ser relativa, levando em conta as circunstâncias de cada caso. Críticos veem esse ponto como uma flexibilização preocupante.

Quanto ao artigo 8, a declaração observa que expulsões de estrangeiros podem ocorrer mesmo com impactos sobre a vida privada, se houver um objetivo legítimo como segurança nacional, desde que existam razões fortes para sustentar a decisão.

Veronika Fikfak, professora de Direitos Humanos da University College London, avaliou que a mudança representa um desenvolvimento significativo. A especialista aponta que a leitura relativa do artigo 3 estaria em conflito com a ideia de um direito absoluto, como a proibição da tortura.

O Conselho da Europa tem 46 membros e atua na defesa dos direitos humanos e do Estado de direito. A reunião moldou uma linha que pode influenciar as decisões judiciais em várias nações do bloco.

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