- O segundo dia do Fórum Unesp teve foco na China na academia e terminou com debate entre Mo Yan, Nobel de Literatura, e Milton Hatoum, imortal da Academia Brasileira de Letras.
- Hatoum destacou a literatura como ferramenta que derruba barreiras culturais e linguísticas, mencionando a importância das traduções para leitores brasileiros.
- Mo Yan, um dos autores chineses mais conhecidos no Ocidente, relembrou a primeira visita ao Brasil em 2014 e elogiou Hatoum como “irmão mais velho”.
- A programação incluiu a aproximação Brasil-China, com a Unesp anunciando o próximo curso de bacharelado em língua e cultura chinesa em Assis no segundo semestre, além de comemorar dezoito anos de parceria com o Instituto Confúcio.
- O fórum também abordou turismo, geopolítica e economia, com expectativa de cerca de setenta mil pessoas na feira do livro até o fim de domingo.
Nesta quinta-feira (14), o segundo dia do Fórum Unesp reuniu autores e pesquisadores para discutir China na academia, educação de língua chinesa e circulação cultural. O debate final reuniu Mo Yan, Nobel de Literatura, e Milton Hatoum, imortal da ABL.
A conversa ocorreu no Memorial da América Latina, em São Paulo, dentro de uma programação de três dias que tratou de geopolítica, economia e presença internacional chinesa. Hatoum foi chamado de “irmão mais velho” por Mo Yan durante o encontro.
O público acompanhou relatos sobre a relação Brasil-China no contexto do ano cultural Brasil-China e do esforço de internacionalização da literatura chinesa no Ocidente. Mo Yan tem sua obra ligada à adaptação de Sorgo Vermelho, de Zhang Yimou, e à projeção cultural chinesa.
Hatoum ressaltou que a literatura transcende fronteiras, destacando a importância das traduções para a compreensão de culturas diferentes. O autor de As Rãs mencionou visitas ao Brasil, como a de 2014 ao rio Amazonas, para reforçar o vínculo entre obras e seus cenários.
Durante o Fórum, foram abordados temas como ensino de chinês, formatos de tradução e a ação do Instituto Confúcio, que celebra 18 anos de parceria com a Unesp. O presidente da instituição aponta que a difusão da língua ainda é incipiente no país.
Pesquisadores presentes enfatizaram a necessidade de fortalecer a sinologia brasileira e ampliar o número de intérpretes no relacionamento com a China. Comentários destacaram o crescimento de traduções e o surgimento de novos leitores de literatura chinesa.
O encontro encerrou nesta sexta-feira (15) com rodas de conversa entre Ailton Krenak, Antônio Carlos Secchin e Ana Maria Machado. Ao longo do evento, personalidades como Lilia Schwarcz e Rui Tavares também participaram.
Além das discussões culturais, o fórum abordou crise energética, geopolítica e economia, acompanhando o momento de maior atenção global às relações sino-ocidentais. Estima-se que até domingo (17) cerca de 70 mil pessoas passem pela feira do livro vinculada ao evento.
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