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Quatro anos de guerra na Ucrânia podem sinalizar queda de Putin

Guerra de quatro anos expõe desgaste russo: economia em baixa, grandes perdas militares e crescente descontentamento dentro do Kremlin

Vladimir Putin at the Victory Day military parade in Red Square, Moscow, 9 May 2026.
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  • A invasão da Ucrânia, iniciada em vinte e dois de fevereiro de dois mil e vinte e dois, já dura quatro anos e parece minar o apoio interno a Vladimir Putin, com altas perdas e ganho territorial limitado.
  • Drones ucranianos atingem alvos dentro da Rússia, incluindo Moscou e outras cidades, forçando mudanças táticas e atrasos em operações militares.
  • Putin chegou a cogitar um cessar‑fogo de três dias; Zelensky concordou, mas a ocasião não poupou a Rússia de constrangimentos, mantendo a Red Square fora do acordo.
  • A economia russa sofre: crescimento desacelera para um por cento em dois mil e vinte e cinco, com inflação elevada e dificuldades para pequenas empresas; o mercado de trabalho mostra pressão devido à demanda militar.
  • Sinais de inquietação no Kremlin aumentam: segurança reforçada, restrições a redes sociais e apelo de que a situação interna pode desestabilizar o governo.

O Dia da Vitória de 9 de maio, em Moscou, marcou a parada anual do risco de revés para a presença de Putin na liderança. O objetivo era homenagear sacrifícios de soldados e civis na guerra contra a Ucrânia, que já dura quatro anos desde a invasão de 24 de fevereiro de 2022.

Mesmo com promessas de avanços, analistas apontam que a ofensiva russa não entregou ganhos territoriais relevantes, enquanto as baixas se acumulam. Questionamentos internos já começam a sinalizar descontentamento entre apoiadores do regime.

A ofensiva russa enfrentou atraso e contenção, em parte pela resposta ucraniana com drones e ataques de precisão. Estima-se que 1,3 milhão de militares russos ficaram incapacitados ou mortos, elevando pressão econômica sobre a população.

A guerra passou a atingir também o território russo, com ataques de drones atingindo cidades como Moscou, Ekaterinburgo, Chelyabinsk, Perm e outros pontos, incluindo portos e refinarias no Mar Negro. Isso provocou fechamento de aeroportos e atrasos de voos.

A resposta do governo incluiu medidas de segurança mais rígidas, com toque de recolher em áreas-chave, bloqueio de redes sociais e restrições à popular plataforma de mensageria Telegram. A condução da parade, porém, foi reduzida para evitar constrangimentos em Red Square.

No campo econômico, a produção militar e a indústria dependem de mão de obra, levando a queda de crescimento e inflação mais alta. A atividade econômica recuou no primeiro trimestre de 2026, após desaceleração de 2025, reduzindo perspectivas para este ano.

Enquanto a linha de frente permanece difícil de avaliar — com drones complicando avaliações de território — Kiev tem reduzido fatalidades ao ampliar uso de drones de alta tecnologia, veículos autônomos e redes de suprimento remoto. As perdas russas mantêm-se elevadas.

Sobre o comando, sinais de apreensão aparecem entre elites. Putin reduziu viagens internas, reforçou segurança em residências e fortaleceu o cerco informativo, com cortes de plataformas de redes sociais e avanço de bloqueios online.

Na prática, as ações reforçam o temor de que o conflito, que deveria consolidar o poder de Putin, acabe fragilizando o máximo dirigente. O desfile de 9 de maio, que deveria celebrar o poder militar, pode simbolizar um desgaste político maior para o Kremlin.

Rajan Menon, professor emérito de relações internacionais, aponta que a soma de perdas, economia sob pressão e descontentamento interno coloca dúvidas sobre a continuidade do legado militar de Putin. A situação permanece tensa e sem previsões simples.

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