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Iranianos diante da crise econômica pela guerra; governo aposta em resistência

Teerã amplia subsídios e vouchers para mitigar inflação de alimentos, em cento e quinze por cento, enquanto serviços e comércio enfrentam queda de faturamento e cancelamento de vendas online

Homem atrás de balcão em barraca com sacos e caixas cheios de especiarias, grãos e ervas secas. Rótulos indicam tipos variados, como açafrão e hibisco. Ambiente interno de mercado com iluminação artificial.
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  • Em Teerã, a inflação de alimentos chegou a aproximadamente 115%, enquanto o rial perdeu valor e o salário mínimo foi ampliado para 166 milhões de riais (cerca de R$ 630) em março; governo afirma que pode suportar mais alguns meses de guerra econômica.
  • O governo iraniano aumentou subsídios e anunciou distribuição de vouchers eletrônicos para cerca de 87 milhões de pessoas, para compras em lojas designadas.
  • No varejo, carnes subiram mais de quarenta por cento desde o início da guerra, e muitos consumidores passaram a comprar ossos, considerado mais barato; subsídio governamental de R$ 25 por pessoa ajuda a manter portas abertas.
  • O bloqueio da internet complicou negócios online; muitos artesãos e vendedores passaram a atuar em mercados físicos e em sites locais fora do bloqueio, com risco de demissões se a situação piorar.
  • O governo e analistas próximos ao regime apontam que o Irã pode resistir à pressão externa por mais tempo do que o adversário, destacando a suposta mobilização popular e apoio ao governo mesmo diante da crise.

Em Teerã, a pressão econômica causada pela guerra se intensifica, com o governo ampliando subsídios e distribuindo vouchers para enfrentar a inflação. Do fim de fevereiro, quando o conflito entre Israel e EUA se intensificou, o país tenta sustentar o consumo mesmo diante da alta de preços e do bloqueio de parte da internet.

No varejo alimentar de bairros pobres como Shoush, no sul da capital, o açougueiro Mojtaba relata queda nas vendas de carne de carneiro, enquanto ossos passam a ser o item mais procurado. O governo mantém um subsídio de 25 reais por pessoa ao mês para atenuar o impacto.

Saeid, desempregado, frequenta o açougue para verificar os preços que sobem quase todos os dias. A última compra de frango foi há mais de um mês, e ele afirma que o custo da vida vem sendo repassado para a população de renda mais baixa. A inflação de alimentos superou 115%.

Estabilidade sob pressão externa

O governo afirma que pode resistir por mais alguns meses à inflação imposta pela guerra e pelo embargo. A depender de dados oficiais, a inflação total fica em torno de 73,5%, com alimentos em alta de 115%. Em março, o salário mínimo teve aumento de 60%, porém o rial continua a sofrer forte desvalorização.

O Banco Central e autoridades associadas indicam que o uso de cartões e pagamentos eletrônicos está se tornando dominante, reduzindo a circulação de dinheiro vivo. O governo também anunciou vouchers eletrônicos para cerca de 87 milhões de pessoas comprarem em lojas designadas.

Caminhos de abastecimento e censura

O estreito de Hormuz permanece sob controle iraniano, mas o bloqueio dos EUA afeta o fluxo de mercadorias, elevando custos de frete. O óleo de cozinha figura entre os itens mais caros desde o início do conflito, com preços que quase dobraram na fronteira com a Turquia.

A internet bloqueada parcialmente prejudica pequenos negócios que atuavam por redes sociais. Vendas de bolsas e chapéus, antes feitas via Instagram, migraram para lojas presenciais e um site local, ainda sem restrições do governo.

Reação social e perspectiva oficial

Milhares participam de manifestações pró-governo em Teerã, sem sinais de protestos contra a gestão econômica. Autoridades ressaltam a resiliência do país e a capacidade de manter o fluxo de petróleo sob controle, destacando suposta vitória sobre pressões externas.

Um analista acadêmico afirma que a resistência econômica depende de continuidade dos subsídios e de medidas de controle de preços. Outro integrante do governo garante que as políticas visam amortecer a alta de preços, sem detalhar cenários futuros.

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