- Libaneses no Brasil relatam apreensão diária e acompanham a situação no Líbano, onde bombardeios de Israel deixaram a vila de Taybeh demolida e 15 mil moradores desalojados.
- Dois brasileiros morreram em 26 de abril em ataques no Líbano, segundo o Itamaraty, enquanto outros membros da comunidade ficaram feridos.
- Famílias libanesas no Brasil mantêm contato próximo com parentes que ficaram no Líbano, que enfrentam falta de água, energia e medo de novas ações militares.
- A diáspora libanesa no Brasil é grande e já inclui descendentes que vivem no país há várias décadas; notícias sobre o conflito afetam também brasileiros de origem libanesa.
- O cessar-fogo entre Líbano e Israel foi prorrogado por mais 45 dias, mas as hostilidades permanecem e a comunidade aguarda informações oficiais e respostas do governo brasileiro.
O episódio de bombardeios no sul do Líbano atingiu também pessoas que vivem no Brasil, especialmente membros da diáspora libanesa. Familiares no Brasil relatam apreensão diária e buscam informações sobre parentes que ficaram na região afetada.
Hussein Nahle, imigrante libanês de 60 anos morador de Perdizes, em São Paulo, perdeu o sobrinho Abas, 22 anos, durante ataque aéreo em Taybeh. Segundo ele, o sobrinho visitava um amigo que não aderiu a ordens de retirada do Exército israelense.
Segundo relato, a vila de Taybeh foi esvaziada e parcialmente destruída. Entre os desalojados, estão familiares de Hussein, que vivem iniciativas informais de apoio entre comunidades. As informações são confirmadas por moradores que chegaram a alertar parentes por mensagens.
O Brasil é a nação que recebeu o maior contingente da diáspora libanesa, com estimativa de cerca de 8 milhões de pessoas entre imigrantes e descendentes. Muitos mantêm contato próximo com quem ficou no Líbano, especialmente após as últimas ofensivas.
Para Hussein, a presença no Brasil é marcada pela tentativa diária de checar notícias sobre familiares. Em mensagens, ele relata que casas foram invadidas por militares israelenses e itens retirados das residências, seguidos de explosões em imóveis.
A professora Safa Jubran, da USP, reforça o impacto humano da crise. Ela comenta que muitos familiares ficaram sem água e energia, enfrentando separação, medo e incerteza quanto ao futuro. Safa imigrou para o Brasil em 1983.
A repercussão também alcança filhos e netos de libaneses já naturalizados, inclusive brasileiros. O escritor Milton Hatoum mencionou ter recebido imagens de uma parente cuja casaimada ficou destruída, segundo relatos à imprensa.
Uma parte da diáspora brasileira também vive no Líbano, com estimativas em torno de 20 mil pessoas. Em 26 de abril, uma brasileira e seu filho de 11 anos morreram em bombardeio, segundo informações oficiais, com ferimentos no pai e no outro filho.
O Itamaraty afirmou que o ataque no sul do Líbano representa violações ao cessar-fogo de 16 de abril e que dezenas de civis, incluindo mulheres e crianças, foram vitimados. A nota descreve ainda a morte de dois membros franceses da Unifil.
O cessar-fogo, acordado entre as partes envolvidas, foi prorrogado por 45 dias, conforme anúncio recente. A comunidade libanesa no Brasil permanece em expectativa, aguardando sinais de estabilização.
Entre moradores de São Paulo, Hussein descreve o dilema de quem perdeu familiares e bens, além do peso emocional de manter a família unida. Mesmo diante das dificuldades, ele segue enviando mensagens diárias aos irmãos para monitorar a situação.
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