- Drones aparecem há décadas, mas a guerra na Ucrânia ampliou muito seu uso, com milhares de VANTs para rastrear, guiar artilharia e bombardear alvos.
- Drones FPV, baratos e agressivos, ganharam destaque pela precisão e baixo custo, permitindo ataques diretos a veículos e instalações em conflitos com menos dependência de aviões.
- Incursões de drones ocorreram em vários países europeus (Romênia, Dinamarca, Estônia, Polônia e Espanha), associadas a interrupções de aeroportos e violações de espaço aéreo.
- A guerra eletrônica tem sido crucial para conter drones, com interceptação de sinais, uso de repetidores e defesa antiárea, além de resposta da Otan com caças e sistemas como o Patriot.
- Drones de próxima geração com inteligência artificial e drones subaquáticos ganham espaço, em meio a planos de aquisição e desenvolvimento para melhorar autonomia e resistência a interferências.
O uso de drones em conflitos evoluiu significativamente nos últimos anos, com a guerra na Ucrânia marcando a expansão de sua aplicação. Esses aparelhos deixaram de ser ferramentas especializadas para se tornar parte essencial das formações militares, em especial para monitoramento, orientação de artilharia e ataques.
Segundo observadores, a Ucrânia integrou amplamente os VANTs à sua estrutura, com quase todas as brigadas possuindo drones de ataque e a maioria das unidades empregando pequenos drones de reconhecimento. A presença do recurso alterou táticas no front e reduziu o peso de ações pesadas.
Casos de incursões aéreas também ganharam destaque: desde 2022, a Romênia já registrou 13 violações de espaço aéreo associadas a ataques russos, com a última incidente ocorrendo durante o dia e sendo a mais profunda até então. Em 2025, drones sobre aeroportos na Dinamarca e na Alemanha reforçaram a percepção de vulnerabilidade europeia.
Drones FPV
Drones FPV, de visão em primeira pessoa e custo baixo, emergiram como arma relevante na guerra. Controlados por pilotos em terra, eles podem atingir alvos com explosivos e custam em torno de US$ 500 no conjunto. Seu alcance varia de 5 a mais de 20 quilômetros, dependendo da configuração.
Operados a partir de plataformas improvisadas, os FPV localizam alvos após reconhecimento prévio e voam rapidamente para acionar a carga. A precisão é alta, permitindo atingir veículos em movimento com maior eficiência que a artilharia convencional.
Entretanto, projéteis tradicionais ainda respondem por impactos explosivos significativamente maiores. A combinação entre drones FPV e outros armamentos continua a ser a estratégia mais eficaz no terreno.
Incursões de drones
#### Bélgica
Aeroportos de Bruxelas e Liège foram fechados na noite de 4 de novembro após detecção de drones, com impactos no tráfego. Bruxelas reabriu parcialmente na manhã seguinte.
#### Dinamarca
Em setembro, drones interromperam tráfego em seis aeroportos dinamarqueses, incluindo Copenhague. A primeira-ministra classificou o episódio como ataque híbrido.
#### Estônia
Três jatos russos violaram o espaço aéreo em 12 minutos, em 19 de setembro, sendo escoltados por caças da Otan. O incidente ocorreu próximo a fronteira com a Rússia.
#### Alemanha
Aeroportos de Berlim e Bremen tiveram fechamentos breves após avistamentos de drones. Registros locais indicam detecções em várias instalações no início de outubro.
#### Lituânia
Em 28 de outubro, o Aeroporto de Vilnius foi fechado após objetos suspeitos entrarem no espaço aéreo, em uma semana marcada por várias ocorrências com objetos voadores não identificados.
#### Polônia
Caças poloneses interceptaram aeronave russa sobre o Mar Báltico em 30 de outubro. Em 9-10 de setembro, cerca de 20 drones russos invadiram o espaço aéreo do país, levando a resposta da Otan com defesa aérea Patriot.
#### Romênia
Em 13 de setembro, drones violaram o espaço aéreo durante ataque russo próximo à fronteira, levando o acionamento de caças. A defesa do país monitorou a incursão.
#### Espanha
Operações no Aeroporto de Palma de Mallorca foram suspensas temporariamente em 20 de outubro por avistamentos de drones, segundo o ISW.
Mudanças na guerra
A intensificação do uso de drones provocou recuo de blindados e maior mobilidade de infantaria. Soldados destacam que FPV e lançadores de bombas são ameaças constantes e que a presença de drones dificulta a movimentação entre trincheiras.
O custo reduzido dos drones, aliado à precisão, torna-os atrativos. Contudo, a eficácia ainda depende da coordenação com infantaria e artilharia, que mantêm o suporte de linha.
Guerra eletrônica contra drones
Sistemas de guerra eletrônica (GE) surgem como resposta para bloquear sinais de drones. Interferência de frequência pode interromper o controle ou a visibilidade da câmera, levando à neutralização do aparelho.
Pilotos têm usado repetidores para ampliar o alcance entre a aeronave e o piloto, ocultando a posição de quem comanda. Unidades menores também recorrem a GE para proteção de trincheiras, sem depender de grandes estruturas móveis.
Drones subaquáticos
Dois governos europeus anunciaram a compra de drones subaquáticos militares, com desenvolvimento de modelos capazes de monitorar cabos, minas e atividades submarinas. Preços elevados limitam a adoção ampla, mas o interesse cresce diante de ameaças costeiras.
O uso de drones navais já é observado na região, com foco em operações de superfície e rastreamento de atividades submarinas, segundo fabricantes. A tecnologia promete ampliar o domínio marítimo em cenários de conflito.
Drones de próxima geração com IA
Em resposta a interferência de guerra eletrônica, há uma corrida para drones com IA que identifiquem e ataquem alvos sem depender de comunicação com o piloto. A tecnologia ainda está em fases iniciais, mas é vista como potencialmente revolucionária.
Especialistas destacam que a IA pode aumentar a resistência à interferência e facilitar operações autônomas, embora o desenvolvimento exija avanços adicionais antes da adoção ampla. Modelos com IA já estão em uso restrito por alguns países.
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