- Zukiswa Wanner participou do Festival Literário de Araxá, em Minas Gerais, discutindo apartheid e a decisão de integrar flotilha rumo a Gaza.
- A autora liga o trauma racial à repressão autoritária, dizendo que a escrita pode ser uma forma de elaboração desse trauma.
- No romance Madames, a narradora contrata uma empregada branca, revelando hierarquia racial herdada do apartheid.
- Em Homens do Sul, ela aborda tensões entre africanos em Joanesburgo e xenofobia, desmontando a ideia de África homogênea.
- Wanner participou da maior flotilha já organizada para Gaza; ficou cerca de cinco dias presa pelo Estado de Israel e relatou o episódio em Diário de uma Flotilha por Gaza.
Zukiswa Wanner, escritora sul-africana, participou do Festival Literário de Araxá, em Minas Gerais, discutindo o papel da escrita na elaboração do trauma causada pelo apartheid. Ela comparou mecanismos de segregação, controle e desigualdade na África do Sul e na Palestina.
A autora explicou que, para ela, a ficção funciona como ferramenta de reflexão sobre opressão, embora não seja a principal motivação de sua obra. Em Araxá, afirmou que a literatura pode promover mudanças no mundo.
Nascida em 1976, na Zâmbia, filha de uma zimbabuana e de um sul-africano exilados, Wanner mudou-se recentemente do Quênia para a África do Sul. O relato é inspirado por lembranças de infância e pelo trauma de prisões ocorridas quando tinha dois anos.
Madames e outras obras
Em Madames, lançado no Brasil em 2024 pela Ímã Editorial, a protagonista Thandi contrata uma empregada branca, revelando a hierarquia herdada do apartheid e seus conflitos. A autora comenta que a obra é compreensível para o público brasileiro.
Em Homens do Sul, Wanner explora tensões entre africanos em Joanesburgo, questionando a ideia de uma África homogênea e expondo xenofobia. O romance investiga masculinidades que se dizem progressistas, sem alterar práticas de poder.
Flotilha rumo a Gaza
Durante o evento, também se discutiu a participação de Wanner na maior flotilha já organizada rumo a Gaza. Ela esteve entre as cerca de 500 pessoas que embarcaram, e entre as aproximadamente 200 detidas pelo Estado de Israel. Em Diário de uma Flotilha por Gaza, a autora registra os dias em Túnis e os cinco dias de prisão.
Wanner já publicou relatórios sobre a Palestina sob Estado de Apartheid, reforçando que o termo apartheid é utilizado para descrever sistemas de segregação e controle. Em Araxá, afirmou que a indignação não pode permanecer passiva e que é preciso agir.
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