- Acnur vai cortar empregos e aplicar reformas rápidas por queda de financiamento; orçamento projetado para 2026 é pouco mais de US$ 3 bilhões, cerca de 15% abaixo de 2025.
- A necessidade de recursos cresce com o aumento do número de pessoas deslocadas por conflitos; a agência já havia anunciado milhares de demissões em 2025.
- Há aproximadamente 3 mil funcionários internacionais para 1.800 vagas, com contratos de muitos encerrando até o fim de setembro.
- O custo estimado dessas medidas é de cerca de US$ 185 milhões entre 2026 e 2028, decorrente do desequilíbrio entre quadro de pessoal e vagas.
- Doações com destinação específica aumentaram de 24% em 2024 para 44% em 2025, devendo superar 50% em 2026; Salih pediu financiamento mais flexível aos países doadores.
A Acnur, agência da ONU para refugiados, anunciou a necessidade de cortes de empregos e reformas urgentes devido à queda no financiamento internacional. A avaliação foi divulgada pelo chefe da organização, Barham Salih, em carta vista pela Reuters.
Salih informou aos Estados-membros que os recursos projetados para 2026 ficam em pouco mais de US$ 3 bilhões, cerca de 15% abaixo do registrado em 2025. A instituição já havia anunciado milhares de demissões em 2025, em meio ao cenário de menor apoio financeiro.
A redução ocorre em um contexto de aumento do número de deslocados por guerras e perseguições em várias regiões, incluindo Ucrânia e Sudão. Salih destacou que a situação financeira exige medidas urgentes e que não há outra alternativa viável.
A carta aponta um impacto severo: os recursos caíram aproximadamente 30% em 2025 em comparação com 2024, com doadores como Os EUA reduzindo contribuições ou redirecionando verbas para defesa. O quadro atual tem mais funcionários internacionais do que vagas disponíveis.
Segundo dados da Acnur, existem cerca de 3 mil funcionários internacionais para apenas 1.800 vagas. Salih afirmou que, até o fim de setembro, contratos de funcionários que não assegurarem posições devem ser encerrados. A instituição estima custo de about US$ 185 milhões entre 2026 e 2028 para sustentar o desequilíbrio.
A agência ressaltou que o desequilíbrio decorre da redução de 33% dos postos internacionais em 2025. Reconhece a ansiedade gerada pela situação e afirma buscar mitigar impactos, mantendo o foco em atender milhões de deslocados por conflitos.
O alto comissário pediu aos países doadores maior flexibilidade no financiamento. A carta aponta que a parcela de doações com destinação específica subiu de 24% em 2024 para 44% em 2025, com expectativa de ultrapassar 50% em 2026.
Como contexto, a Organização Mundial da Saúde comunicou nova rodada de ajustes: reduzirá sua força de trabalho em mais de 2 mil empregos até meados deste ano, após a saída do principal financiador. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, informou que 90% do orçamento para os próximos dois anos já foi financiado.
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