- Milhares de apoiadores de Evo Morales marcham há seis dias até o centro de La Paz, exigindo a renúncia do presidente Rodrigo Paz e mantendo bloqueios de estradas.
- A marcha, com participação de moradores de El Alto, contou com arremesso de fogos de artifício, madeira e pedras contra as forças de segurança, que reagiram com gás lacrimogêneo.
- Cerca de noventa pessoas foram detidas, segundo o Ministério Público, que acusa o líder da Central Operária Boliviana (COB), Mario Argollo, de sedição.
- O movimento é liderado pela COB e por sindicatos de camponeses próximos a Morales e a Luis Arce; o governo afirma que não vai negociar e age com medidas “dissuasivas” sem armamento.
- Os bloqueios, que já duram dezesseis dias, provocam desabastecimento, escassez de combustível e impacto em hospitais; empresários estimam perdas diárias superiores a US$ cinquenta milhões.
Milhares de apoiadores de Evo Morales marcharam por La Paz nesta semana, exigindo a renúncia do presidente Rodrigo Paz. A movimentação ocorre na terceira semana de protestos, com bloqueios de estradas que afetam o transporte e o abastecimento da região.
Os manifestantes, que também vieram de El Alto, chegaram ao centro da capital e se dirigiram à área da sede do governo. O objetivo é pressionar Paz a deixar o cargo, em meio a tensões que já resultaram em confrontos com forças de segurança.
Policiais e militares formaram uma linha de proteção ao redor do Palácio de Governo. Lojistas sofreram saques e houve bloqueios de vias próximas ao prédio, aumentando a demanda por controle de protestos e segurança pública.
Desdobramentos e detenções
O Ministério Público informou a detenção de cerca de 90 pessoas, incluindo líderes sindicais. O principal líder da COB, Mario Argollo, é acusado de sedição. O governo advertiu que a marcha pode continuar apenas de forma pacífica, com medidas cabíveis em caso de delitos.
O governo recusou negociar com os apoiadores de Morales, apontando necessidade de manter a ordem. O porta-voz presidencial enfatizou que as negociações ocorrem apenas com grupos que atuam dentro da lei.
Marcada por fortes tensões, a mobilização é liderada pela COB e por sindicatos camponeses que apoiaram Morales e também o ex-presidente Luis Arce. A multidão manifestou palavras de ordem que remetem a um desfecho político, na tentativa de influenciar o cenário institucional.
Contexto econômico e político
Conflitos nas vias de acesso, há 16 dias, já deixaram mercados desabastecidos e afetaram o fornecimento de combustível a hospitais. O governo de Paz tem buscado diálogo com organizações sociais, ao mesmo tempo em que mantém a atuação de forças de segurança.
O governo de Paz, sem maioria no Legislativo e sem partido próprio, prioriza medidas para enfrentar a crise econômica que se estende há meses. Soluções estruturais ainda não foram implementadas, gerando especulações sobre o ritmo de mudanças.
Apoios internacionais se manifestaram de forma ambígua, com alguns países apoiando Paz e outros reagindo a declarações de líderes regionais. A situação permanece sob vigilância, com a expectativa de novos desdobramentos nas próximas horas.
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