- Cuba enfrenta apagões graves enquanto o bloqueio petrolífero dos EUA agrava o fornecimento de energia, aumentando a pressão sobre a população.
- A China atua como parceira na chamada “revolução solar” de Cuba, com importações de painéis e baterias crescendo e dezenas de parques solares sendo erguidos.
- A energia solar já representa cerca de dez por cento da eletricidade cubana, com o objetivo de chegar a pelo menos vinte e quatro por cento até 2030.
- Estimativas apontam que custaria entre oito e dezenove bilhões de dólares para Cuba gerar a maior parte da sua eletricidade com renováveis, dependendo de empréstimos e financiamento externo.
- Apesar dos avanços, especialistas ressaltam que a rede elétrica de Cuba é antiga e irregular, e os benefícios da solarização ainda não são amplamente sentidos pela população.
Cuba enfrenta apagões persistentes enquanto enfrenta sanções e interrupção de importações de petróleo. Com ajuda da China, o país avança em uma revolução solar considerada uma das mais rápidas do mundo, segundo dados de Ember, think tank de energia.
As importações de painéis solares e baterias chinesas cresceram expressivamente nos últimos meses, levando à instalação de dezenas de parques solares. O objetivo é ampliar a geração de energia a partir de fontes limpas e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
Entretanto, especialistas alertam que a infraestrutura elétrica cubana continua precária e a crise de energia não foi solucionada. Os apagos continuam frequentes e a rede enfrenta quebra de demanda, o que impede benefícios imediatos para a população.
Contexto energético e apoio internacional
Na prática, o petróleo permanece central para a eletricidade em Cuba, com importações historicamente vinculadas a acordos com a Venezuela e a ajustes após sanções dos EUA. A transição para renováveis depende de empréstimos, armazenamento e investimentos estáveis.
Cálculos de Cashman apontam custos elevados para substituir quase toda a eletricidade por fontes limpas, estimando bilhões de dólares para 93% de energia renovável. O financiamento dependeria de instituições de desenvolvimento, diante de uma economia fragilizada.
Enquanto isso, a comunidade observa benefícios limitados. Estações movidas a sol já ajudam alguns cubanos a carregar aparelhos e veículos leves, mas para a maioria as contas de energia continuam elevadas e os apagões persistem.
Dilemas e perspectivas
A cooperação com a China se destaca pela velocidade de implantação, com cerca de 50 parques já ativos e promessa de 92 até 2028. Ainda assim, críticos destacam que o recorte de energia depende de água, sol e armazenamento, o que não está plenamente dimensionado.
Alguns analistas veem a solar como sinal para outras nações, ao mostrar que a energia limpa pode reduzir vulnerabilidades frente a fluxos de combustíveis. Outros ressaltam que Cuba precisa de maior fornecimento estável e acesso a recursos para ampliar a rede.
A avaliação geral aponta que a revolução solar acelera, mas não substitui de imediato a demanda por energia confiável. O ritmo depende de recursos, financiamento e continuidade de políticas que apoiem a expansão de parques e de baterias.
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