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Especialistas pedem que OMS declare crise climática como emergência de saúde

Especialistas pedem à OMS que reconheça a crise climática como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, por causar pressão hospitalar, doenças e insegurança alimentar

Fumaça e má qualidade do ar em área urbana causam problemas sérios de saúde
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  • Comissão internacional independente ligada à Organização Mundial da Saúde recomenda que a crise climática seja reconhecida como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (PHEIC), no mesmo nível de pandemias como Covid-19 e mpox.
  • Segundo o grupo, os impactos do aquecimento global já afetam a sobrevivência humana, aumentando mortes por calor, doenças infecciosas, insegurança alimentar e pressão sobre hospitais.
  • O relatório aponta que muitos hospitais não foram projetados para ondas extremas de calor e enchentes, deixando os sistemas de saúde mais vulneráveis.
  • Críticas são direcionadas aos subsídios públicos a combustíveis fósseis, com a avaliação de que governos europeus destinam bilhões ao setor, enquanto ele provoca mortes prematuras.
  • Além de fatores físicos, o documento reconhece a crise climática como problema crescente de saúde mental, ligando eventos extremos a ansiedade e estresse, e aponta políticas de qualidade do ar e transporte sustentável como benefícios para a saúde.

A comissão internacional independente de especialistas em clima e saúde, convocada pela OMS, pediu que a organização declare a crise climática como uma emergência global de saúde pública. O objetivo é tratar o tema no mesmo nível de resposta de pandemias como Covid-19 e mpox. A recomendação será apresentada a ministros europeus antes da Assembleia Mundial da Saúde.

Segundo a reportagem do The Guardian, o grupo sustenta que o aquecimento global já representa ameaça direta à sobrevivência humana. O recorte de política aponta para uma resposta internacional coordenada, similar à mobilização em crises sanitárias globais.

A comissão defende classificar o tema como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (PHEIC). Esse gatilho já foi acionado para Covid-19, Ebola e mpox, entre outros, ressaltando a gravidade associada aos impactos climáticos.

Para os integrantes, as ondas de calor, enchentes, insegurança alimentar, poluição do ar e a disseminação de doenças transmitidas por vetores, como dengue e chikungunya, configuram uma crise sanitária internacional.

“A crise climática pode não ser uma pandemia, mas é uma emergência de saúde pública que ameaça a saúde e a sobrevivência da humanidade”, afirmou Katrín Jakobsdóttir, ex-primeira-ministra da Islândia e presidenta da comissão, ao The Guardian.

O relatório destaca que os sistemas de saúde foram concebidos para uma realidade climática anterior e lidam mal com eventos extremos. Andrew Haines, da London School of Hygiene & Tropical Medicine, aponta que hospitais situados em áreas vulneráveis enfrentam dificuldades durante ondas de calor.

Mesmo em países como o Reino Unido, hospitais não estão adequados para calor extremo, observa Haines, que atua como consultor científico da comissão.

Os especialistas apontam que, se as emissões permanecerem no ritmo atual, os impactos na saúde deverão se intensificar nas próximas décadas, elevando mortes por calor, infecções, incêndios e desnutrição.

O relatório também critica subsídios públicos aos combustíveis fósseis. Segundo a comissão, petróleo e gás estão ligados a cerca de 600 mil óbitos prematuros por ano na Europa, por poluição, enquanto bilhões de euros continuam sendo destinados ao setor.

Jakobsdóttir afirmou que governos europeus subsidiam indústrias ligadas à mortalidade de seus cidadãos, caracterizando a política energética como não sustentável e falha de saúde pública.

Além dos danos físicos, o documento reconhece a crise climática como problema de saúde mental, associada a ansiedade, estresse e insegurança provocados por eventos extremos.

Segundo os autores, é necessário mudar a percepção global sobre o tema. A mudança climática já encurta vidas em cidades europeias, sobrecarrega hospitais e amplia transtornos mentais, aponta Jakobsdóttir.

O relatório sustenta que políticas como melhoria da qualidade do ar, transporte sustentável, eficiência energética e alimentação mais saudável podem gerar ganhos de saúde imediatos, além de reduzir emissões.

Conclui-se que tratar a crise climática apenas como debate ambiental não reflete a dimensão dos impactos sobre sociedades, sistemas de saúde e economias globalmente. A ação integrada é apresentada como essencial.

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