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Execuções no mundo sobem, principalmente no Irã, diz Anistia Internacional

Relatório da Anistia Internacional aponta aumento global de execuções em 2025, recorde desde 1981; Irã concentra 80% dos casos, com 2.159 enforcamentos

Agnès Callamard, secretária-geral da Anistia Internacional, durante apresentação do relatório anual 2025/26, em Londres, em 20 de abril de 2026. Foto de arquivo.
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  • Em 2025, o número global de execuções registradas atingiu o maior nível desde 1981, com ao menos 2.707 execuções, sem incluir milhares de casos na China.
  • O Irã respondeu por 80% dos casos, com 2.159 execuções por enforcamento em 2025, ante 972 em 2024.
  • A Anistia Internacional atribui o aumento ao uso da pena de morte como ferramenta de repressão política pelo governo iraniano, especialmente após a Guerra dos Doze Dias, em junho de 2025.
  • Segundo a ONU, pelo menos 21 pessoas foram executadas no Irã desde o fim de fevereiro por motivos políticos ou de segurança nacional; cerca de 998 execuções no Irã em 2025 estão associadas a infrações à legislação sobre entorpecentes.
  • No restante do mundo, a Arábia Saudita realizou 356 execuções, o Iêmen 51, os Estados Unidos 47, o Egito 23 e Somália, Singapura e Kuwait, 17 cada; 17 países realizaram execuções no total.

O número de execuções registradas no mundo em 2025 atingiu o maior nível desde 1981, segundo o relatório anual da Anistia Internacional. O aumento é atribuído principalmente ao Irã, responsável por cerca de 80% dos casos, com 2.159 enforcamentos diante de 972 em 2024. O total global é de pelo menos 2.707 execuções, ainda sem contar milhares ocorridas na China, país com o maior número.

Antes do conflito, a ONG registrou 654 casos entre janeiro e junho de 2025, e 1.505 entre julho e dezembro. Em relação a 2024, houve alta de 78% no número de pessoas executadas no mundo, mantendo o recorde desde 1981, quando o registro passou de 3 mil casos, se excluir a China.

A Anistia Internacional aponta que o Irã utilizou a pena de morte como ferramenta de repressão e controle político, contribuindo para o aumento expressivo de execuções. A organização ressalta que o governo iraniano adotou esse mecanismo durante o contexto de protestos internos e tensões regionais.

Controle do Estado

A ONG afirma que o Irã utiliza a pena de morte para afirmar domínio estatal, em meio a desintegração interna e pressões externas. A secretária-geral Agnès Callamard afirma que o governo intensifica a aplicação dessa prática para consolidar poder.

Conforme o relatório, as condenações e execuções no Irã ocorridas após protestos em janeiro e o início do conflito no Oriente Médio, em fevereiro, não foram contabilizadas. A ONU informa que pelo menos 21 pessoas foram executadas desde o fim de fevereiro por motivos políticos ou de segurança nacional.

Dados da Anistia indicam que, no Irã, cerca de metade das execuções de 2025 (aproximadamente 998 casos) decorre de infrações à legislação sobre entorpecentes, com duplicação em relação a 2024. Em outras nações, números relevantes incluem Arábia Saudita, Egito, EUA e Somália, entre outros, com dezenas de casos cada.

O relatório aponta ainda que 17 países realizaram execuções no ano. Segundo a organização, a China permanece como o principal executor global, ainda não contabilizado integralmente no total divulgado.

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