- O Irã avalia abrir o estreito de Hormuz para a passagem de embarcações, mas navios dos EUA, de Israel e de países que apoiaram a guerra ficariam de fora.
- O porta-voz Esmaeil Baqaei disse que Teerã continua negociando pela via do Paquistão e já enviou uma resposta às demandas dos EUA, incluindo a liberação de ativos bloqueados.
- Um novo órgão regulador, a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, foi criado para gerenciar o trânsito e garantir passagem segura, mantendo a soberania iraniana; EUA, Israel e seus apoiadores não teriam passagem.
- O Irã afirma estar preparado para todos os cenários de retaliação e acusa o bloqueio marítimo de ser ilegal, afirmando que as Forças Armadas responderão rapidamente.
- O governo cita apoio internacional, como Brasil e China via Brics, e questiona a necessidade de transferir urânio enriquecido, defendendo direitos sob o Tratado de Não Proliferação Nuclear.
O Irã analisa abrir o estreito de Hormuz apenas para navios neutros, excluindo EUA, Israel e países que apoiaram a guerra. A informação foi dada pelo porta-voz Esmaeil Baqaei do Ministério das Relações Exteriores. A medida faz parte de um protocolo em construção.
Segundo Baqaei, Teerã busca garantir a passagem segura de embarcações, ao mesmo tempo em que preserva a soberania e a segurança nacional. O anúncio ocorreu durante entrevista na sede do Ministério, em Teerã, conforme a Folha.
O governo iraniano ressalta que continua participando de negociações de paz mediadas pelo Paquistão e aponta que enviou uma resposta às demandas americanas. Há 20% do petróleo e do gás liquefeito mundial que trafegam pelo estreito, segundo dados históricos citados pela imprensa.
O protocolo em elaboração prevê regras de passagem para navios de países não alinhados com agressões ou com regimes de bloqueio. Países costeiros comunicam que podem impedir a passagem de embarcações de agressores, mantendo a soberania do Irã.
Foi criada uma autoridade reguladora, a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, para gerenciar o tráfego em Hormuz. A instituição pretende organizar o fluxo de navios com foco em segurança e independência frente a pressões externas.
O Irã reforça que negociações com os EUA, por via de mediadores paquistaneses, continuam. O objetivo é a liberação de ativos bloqueados e o fim de sanções, com base no direito internacional e no retorno ao acordo nuclear, o JCPOA.
Sobre a possibilidade de transferir urânio enriquecido para terceiros, o porta-voz questiona a necessidade, ressaltando que a demanda vem dos EUA. Baqaei lembra que o Irã já tem direito à energia nuclear pacífica sob o tratado.
Indagado sobre um possível retomar de ataques, Baqaei afirmou que as Forças Armadas estão preparadas para responder a qualquer avanço de EUA ou Israel. O governo cita experiências de défice de paz e defesa ao longo das décadas.
A entrevista também abordou o papel de Brasil e China na crise. O Irã reconhece contribuição diplomática do Brasil e destaca a cooperação com a China, ressaltando iniciativas de confiança regional promovidas por Pequim.
Sobre impactos econômicos, a autoridade iraniana aponta resistência à pressão financeira. O governo afirma manter mecanismos de apoio a população e tentar minimizar efeitos de sanções, sem abrir mão de sua soberania.
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