- Durante a cúpula Trump–Xi, não houve envio de Nvidia H200 para a China desde dezembro de 2025, e as controles de exportação não entraram na agenda bilateral.
- Cerca de dez empresas chinesas, entre elas Alibaba, Tencent, ByteDance e JD.com, possuem licenças de exportação aprovadas para até 75 mil unidades cada; Lenovo e Foxconn são distribuidores.
- O impasse ocorre porque as regras americanas exigem uso dos chips apenas na China, enquanto a China orienta uso doméstico limitado e incentivo à fabricação local, gerando incompatibilidade.
- A China está migrando para o stack de Huawei Ascend, com a empresa DeepSeek otimizando modelos para processadores Huawei e Tencent e Alibaba sinalizando avanços em GPUs domésticas.
- A Nvidia viu participação china reduzir para cerca de 5% da receita, e a empresa já prevê zero receita proveniente da China no trimestre atual.
O acordo da Nvidia H200 com a China permanece parado, mesmo após o encontro entre Trump e Xi. Trump incluiu Jensen Huang na delegação em Beijing, mas, dois dias depois, não houve envio de H200 ao país. As autoridades americanas dizem que controles já existem e não estavam na agenda bilateral.
Alguns dados indicam a complexidade do impasse: cerca de 10 empresas chinesas, entre elas Alibaba, Tencent, ByteDance e JD.com, possuem licenças de exportação aprovadas para até 75 mil unidades cada, com Lenovo e Foxconn como distribuidoras. O motivo do atraso não é apenas a permissão, mas a relação com o uso pretendido pelas autoridades chinesas.
O núcleo do empecilho
As regras dos EUA exigem que chips H200 comprados por clientes chineses sejam usados apenas na China. Em contrapartida, Pequim orienta empresas locais a restringirem o uso de chips Nvidia a operações no exterior, além de apoiar fabricação doméstica. As exigências são incompatíveis entre si.
Segundo fontes, chips com licença para exportação não podem ser implantados onde Pequim quer, e a China não autoriza o uso doméstico exigido pelas licenças americanas. O governo chinês também acompanha uma revisão de segurança da cadeia de suprimentos para reduzir dependência de semicondutores estrangeiros.
O que mudou para Huawei e o ecossistema chinês
Durante o encontro, houve avanços que impactam o longo prazo. A DeepSeek afirmou que seu modelo mais recente foi otimizado para rodar em processadores Huawei. Representantes da Tencent e da Alibaba sinalizaram aumento gradual de suprimento de GPUs chinesas em 2026, com a T-Head evoluindo para produção em massa de GPUs próprias.
A tendência acompanha o lançamento do DeepSeek V4, que passou a adaptar o modelo para as chips Ascend da Huawei, marcando a transição do treinamento para um novo patamar de integração com ônibus de hardware nacional. Enquanto isso, a Nvidia registra queda de receita na China, respondendo por cerca de 5% do faturamento recente, ante mais de 20% antes das restrições.
Conclusões provisórias
Huang entrou na comitiva de última hora e, embora o encontro tenha mostrado limites do que se pode alcançar com diplomacia empresarial diante de barreiras estruturais, não houve mudança no status do H200: licenças existem, mas a entrega permanece congelada. Huawei vem ocupando espaço deixado pela Nvidia no segmento.
A narrativa aponta para uma reordenação de cadeias de suprimento, com o ecossistema chinês – especialmente plataformas de IA – voltando-se para soluções domésticas. A dúvida central reside em qual arquitetura de hardware dominará o mercado chinês, determinação que agora se traduz mais em política pública do que em benchmarks técnicos.
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