- Ex-modelo francesa Juliette, hoje com 43 anos, relata ter escapado de Jeffrey Epstein em 2004, após ser abordada em Paris para supostos contratos em Nova York.
- A procuradora de Paris, Laure Beccuau, disse que pelo menos dez potenciais vítimas se apresentaram à promotoria local após a divulgação dos Epstein Files.
- Juliette guardou itens da época (book, e-mails, anotações e a agenda com contatos de Epstein e do recrutador Daniel Siad, que já era investigado pelo FBI).
- Ao chegar a Nova York, Epstein confiscou o passaporte da jovem e marcou o encontro seguinte; Juliette decidiu não seguir, percebendo o caráter abusivo da proposta.
- Atualmente, investigações abertas na França exploram a rede de Epstein no país, incluindo violência sexual e aspectos financeiros, à medida que novas informações e depoimentos emergem.
Quatro meses após a divulgação dos Epstein Files, novas testemunhas aparecem na França. A promotoria de Paris informou que pelo menos dez potenciais vítimas procuraram o órgão. Entre elas está Juliette, ex-modelo francesa que conseguiu escapar da rede de Epstein há mais de 20 anos.
Juliette, hoje com 43 anos, manteve guardados o book, e-mails, anotações e a agenda com contatos de Epstein e de Daniel Siad, recrutador de modelos. Anos depois descobriu que Siad era apontado pelo FBI como responsável por identificar jovens para o milionário. Siad a abordou em Paris, em 2004, entre dois castings.
Ela recebeu passagem e instruções para pedir apenas visto de turista. Ao chegar a Nova York, Epstein tomou seu passaporte e marcou o encontro para o dia seguinte. A mãe de Juliette alertou para o risco de uma rede de tráfico, mas a jovem decidiu tentar manter o objetivo profissional.
Primeiro encontro e sinais de alerta
Epstein mostrou o apartamento, apresentou um estúdio suspeito e fotos de perto de mulheres em paredes. Ele pediu que Juliette entrasse no quarto, onde examinou-a de forma inadequada. Disse que precisava avaliar se poderia apresentá-la às agências.
A apenas alguns passos da entrada, Juliette recusou qualquer avanço. Epstein sugeriu que a apresentação demoraria três meses, com promessas de trabalhos no jato privado e como acompanhante. Ela percebeu logo o risco e pediu o passaporte.
A fuga e as consequências
Juliette vestiu-se, pediu o passaporte e pensou em retornar ao Brasil. Mesmo permanecendo alguns dias, percebeu que as agências não aceitariam seu perfil. A partir dali, a vergonha acompanhou-a por anos, misturada à tentativa de entender o que ocorreu.
Em 2019, ao ouvir novamente o nome Epstein, Juliette reagiu com choque. Seus relatos foram cruzados com documentos e depoimentos da polícia francesa, revelando o funcionamento da rede de aliciamento. Epstein foi condenado em 2008 e morreu em 2019, mantendo o silêncio.
Rede em Paris e investigações atuais
As investigações na França miram entender como a rede operava na capital, onde Epstein viveu por anos. Recrutadores identificavam jovens modelos e, por vezes, outras profissionais em fim de carreira, oferecendo contratos internacionais.
Juliette hoje identifica sinais como a ausência de informações claras, vistos inadequados, apartamentos sem vínculo com agência e controle de passaporte. Ela descreve um método de pressão psicológica aliado a promessas vagas de trabalho.
Testemunho e reconstrução
Durante muito tempo, a ex-modelo não falou sobre o caso, por receio e vergonha. Aos 43 anos, ela busca reconstruir a própria história e superar o trauma. Seu depoimento ajuda a mapear o funcionamento da rede de exploração sexual.
A divulgação de casos e relatos como o de Juliette mantém o foco nas investigações sobre violência sexual e aspectos financeiros da rede em Paris. As autoridades seguem colhendo informações para esclarecer responsabilidades. Com AFP
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