- O governo criou um fundo de quase US$ 1,8 bilhão para compensar suposta instrumentalização do governo, encerrando processo de Trump sobre seus registros fiscais.
- Em depoimento ao Congresso, o procurador-geral interino Todd Blanche disse que a comissão responsável atuará de forma independente e não poderia garantir que recursos não sejam destinados a agressores ou a doadores da campanha de Trump.
- O fundo ficará sob controle de aliados de Trump e poderá pagar pessoas que aleguem ter sido vítimas de instrumentalização ou perseguição judicial, não se restringindo apenas a casos do 6 de janeiro.
- Blanche afirmou que Trump não criou diretamente o fundo; a comissão com membros indicados por ele operará de forma independente e apresentará relatórios trimestrais.
- A audiência foi tensa, com perguntas sobre o uso dos recursos, a condução da investigação de Epstein e a potencial participação de recursos em favor de membros de outros partidos.
O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, afirmou a legisladores que não pode garantir que recursos do novo fundo de quase 1,8 bilhão de dólares, criado para compensar vítimas de instrumentalização do governo, não sejam destinados a envolvidos na invasão do Capitólio ou a doadores da campanha de Donald Trump. A definição de critérios depende de uma comissão independente.
Blanche também disse aos senadores democratas que o fundo não foi criado diretamente pelo governo de Trump e que a gestão ficará a cargo de uma comissão formada por cinco membros, com indicação direta de Blanche para quatro deles. O objetivo é agir de forma independente.
O fundo, anunciado na véspera, busca encerrar um processo movido por Trump contra o governo federal, relacionado à suposta má gestão de registros fiscais. Quem comanda os pagamentos serão aliados de Trump, que poderão conceder recursos a pessoas que aleguem terem sofrido instrumentalização ou perseguição judicial.
Indenizações e regras de distribuição
Durante o depoimento, Blanche disse que o dinheiro pode ir a pessoas de qualquer partido político e não se restringe a réus ligados ao 6 de janeiro. O critério para recebimento é apresentado de forma ampla, incluindo vítimas de instrumentação governamental.
Entretanto, a senadora Patty Murray questionou a legitimidade do arranjo, sugerindo que o governo estaria abrindo espaço para uso indevido do Tesouro. Blanche reiterou que a comissão apresentará relatórios trimestrais aos procuradores e que qualquer pessoa poderá se candidatar a receber pagamentos.
Orçamento e contexto político
A audiência, que durou mais de duas horas, revelou tensões entre democratas e a defesa da agenda de Trump. Blanche defendeu a atuação da pasta diante de críticas sobre a condução da investigação de Epstein e sobre a redução de quadro de funcionários.
Paralelamente, Blanche solicitou 41,2 bilhões de dólares para o financiamento federal do Departamento de Justiça em 2027, um aumento de 13% em relação ao ano anterior, conforme a defesa de orçamento apresentada ao Congresso.
Perspectivas sobre o fundo
Ao longo da sessão, republicanos elogiaram Blanche por promover uma postura que, segundo eles, reforça a segurança dos americanos. Questionamentos sobre a distribuição do fundo e sobre impactos políticos continuam, com boa parte das informações a serem detalhadas pela comissão em próximos relatórios.
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