- Médico americano está entre os casos confirmados do novo surto de Ebola na República Democrática do Congo, em Bunia, Ituri.
- Já são mais de trêscentos casos suspeitos e cento dezoito mortes nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, além de dois óbitos na Uganda.
- Sete norte-americanos adicionais estão sendo levados à Alemanha para monitoramento; um deles testou positivo no domingo, 17.
- A variante Bundibugyo é rara e não há vacinas ou tratamentos aprovados; houve atraso na resposta ao surto por testes terem buscado a cepa errada (Zaire).
- A Organização Mundial da Saúde declarou a emergência de saúde pública de importância internacional; governos, centre de tratamento e vigilância passam a receber apoio internacional.
Um médico americano está entre os casos confirmados do novo surto de Ebola na República Democrática do Congo. O diagnóstico ocorreu em Bunia, capital da província de Ituri, conforme informações do diretor médico do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica do Congo, Jean-Jacques Muyembe.
A Organização Mundial da Saúde declarou o surto como uma emergência de saúde pública de importância internacional. Ao todo, são mais de 300 casos suspeitos e 118 mortes em Ituri e Kivu do Norte, com dois óbitos na Uganda vizinha.
Além do médico, sete americanos estão sendo trazidos para a Alemanha para monitoramento, incluindo um paciente com resultado positivo anunciado no domingo. A medida visa ampliar a vigilância e evitar a expansão local.
Especialistas apontam atraso na resposta inicial, decorrente de testes que visaram a cepa errada do Ebola. As amostras iniciais foram verificadas para Zaire e deram negativo; Bundibugyo só foi identificado semanas depois.
Segundo autoridades congolesas, o primeiro falecimento ocorreu em 24 de abril, em Bunia. O corpo foi levado para Mongbwalu, região mineradora com alta densidade populacional, o que pode ter acelerado a disseminação do vírus.
Casos confirmados já foram registrados em Bunia, Goma, Mongbwalu, Butembo e Nyakunde. O ministro da Saúde, Samuel Roger Kamba, informou a abertura de três centros de tratamento para conter o avanço, com apoio da OMS.
Nos EUA, o CDC reforçou a vigilância em portos e emitiu alertas para viajantes no Congo e em Uganda. Recomenda-se evitar contato com pessoas com febre, dores musculares ou erupções cutâneas.
O Ebola se transmite por fluidos corporais e pode provocar febre, dores intensas, diarreia, vômitos e sangramentos. A variante Bundibugyo é rara; desde 1976, este é o terceiro surto registrado na região.
Emergência de saúde internacional
A OMS classificou o surto no Congo e em Uganda como emergência de saúde pública de relevância internacional. Tedros Adhanom Ghebreyesus destacou a necessidade de coordenação e cooperação para ampliar vigilância e resposta.
Um Comitê de Emergência deve ser convocado nos próximos dias para discutir recomendações aos países membros, sem ainda declarar cenário como pandêmico. Preocupações incluem incertezas sobre o tamanho real do surto.
Entre na conversa da comunidade