- Putin e Xi se reúnem em Pequim nesta quarta para tratar, entre outros temas, de gás e petróleo nos laços energéticos sino-russos.
- Gazprom abastece a China pelo gasoduto Power of Siberia, com contrato de 30 anos e valor de US$ 400 bilhões; em 2025 as exportações cresceram cerca de 25%, para 38,8 bilhões de metros cúbicos, com acordo para chegar a 44 bcm por ano.
- Em 2022, a China concordou em comprar até 10 bcm de gás por ano via o gasoduto da Sakhalin, aumentando para 12 bcm; também está em estudo o Power of Siberia 2, com capacidade de 50 bcm por ano, ainda sem contrato definitivo.
- Exportações russas de gás natural liquefeito para a China cresceram 18,2% no ano passado, chegando a 9,79 milhões de toneladas; a China permanece como grande importadora de GNL no mundo.
- No petróleo, a China importou 2,01 milhões de barris por dia em 2025 (20% do total) e houve crescimento de 35% no primeiro trimestre de 2026; aumentos ocorrem via Espo e Sakhalin, com expansão do oleoduto Espo para 2029 e aumento de 2,5 milhões de toneladas por ano via Atasu-Alashankou, totalizando 12,5 milhões de toneladas anuais.
A Rússia amplia seus laços energéticos com a China em meio ao conflito com a Ucrânia. Pequim tem aumentado as compras de petróleo e gás russos desde 2022, quando Moscou e a China lançaram uma parceria de “sem limites”. O tema deve dominar encontro entre Putin e Xi, em Pequim, nesta semana.
A pauta envolve o reajuste de volumes de gás e petróleo, com foco nas negociações entre os dois governos sobre novas rotas e contratos. Movimentos recentes indicam uma intensificação gradual das entregas, mesmo diante das sanções ocidentais.
Além disso, a relação energética é vista como elemento estratégico para a Rússia buscar mercados alternativos à Europa. A China permanece como cliente-chave e, ao mesmo tempo, como parceiro de investimentos e infraestrutura energética.
Gás
A Gazprom envia gás à China pelo gasoduto Power of Siberia, com 3 mil quilômetros de extensão, em contrato de 30 anos iniciado em 2019. O acordo envolve cerca de US$ 400 bilhões.
Em 2025, as exportações cresceram aproximadamente 25%, atingindo 38,8 bcm, superando a capacidade anual prevista de 38 bcm. Em setembro, Putin e Xi concordaram em elevar o volume para 44 bcm/ano.
Em fevereiro de 2022, a China aceitou até 10 bcm/ano via gasoduto da Sakhalin até 2027; após ajustes, o volume subiu para 12 bcm/ano. As entregas pela Rússia representam ainda uma parcela pequena frente os 177 bcm/ano para a Europa.
A participação russa nas importações de gás da UE caiu durante a guerra, mas Moscou manteve posição como segundo maior fornecedor de GNL, com 16% de participação no ano anterior.
Segue em discussão o gasoduto Power of Siberia 2, com capacidade de 50 bcm/ano. A ideia ganhou força para ampliar o fluxo entre a Rússia e a China via Mongólia. A Gazprom aponta estudo de viabilidade iniciado em 2020.
Exportações de GNL russas para a China cresceram 18,2% em 2025, para 9,79 milhões de toneladas. A China continua como maior compradora mundial de gás natural liquefeito via transporte marítimo.
Petróleo
A China figura como principal cliente do petróleo russo transportado por mar e por oleodutos. Mesmo com sanções, as exportações permaneceram altas durante o conflito na Ucrânia.
Em 2025, as importações chinesas de petróleo russo somaram 2,01 milhões de barris/dia, totalizando 100,72 milhões de toneladas, o que representa 20% de todo o petróleo adquirido pela China.
Para o primeiro trimestre de 2026, fontes próximas a Putin indicam crescimento de 35% nas exportações de petróleo para a China, alcançando 31 milhões de toneladas. A China compra principalmente o petróleo Espo e Sakhalin.
O Espo é deslocado pelo ramal Skovorodino-Mohe, conectando campos russos a refinarias chinesas e ao porto de Kozmino. A Transneft informou que expande o Espo para aumentar saídas via Kozmino até 2029.
A Rússia também ampliou exportações por Sakhalin e pela rota Espo Blend. A disponibilidade do Espo Blend tem se mantido elevada desde 2025, com volumes próximos a 1 milhão de barris/dia.
A Rússia concordou ainda em elevar as exportações por meio do Atasu-Alashankou, via Cazaquistão, para 2,5 milhões de toneladas/ano, totalizando 12,5 milhões de toneladas anuais.
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