- CRE aprovou por unanimidade seis indicados para chefiar embaixadas no Japão, Omã, Vietnã, Albânia, Bahamas e Belize; os nomes vão ao Plenário, com votação prevista para o mesmo dia.
- Também foi aprovada a indicação de Ricardo de Souza Monteiro para a representação brasileira na ONU e outros organismos internacionais em Genebra, Suíça; votação foi de onze a um.
- Em Omã, o diplomata João Batista do Nascimento Magalhães destacou tensões com o Irã e o impacto no transporte de petróleo, mencionando investimentos brasileiros, como da Vale.
- No Japão, Paulo Roberto Soares Pacheco defende parcerias estáveis em setores estratégicos, como semicondutores, comunicações e energia, ressaltando a grande comunidade brasileira no país.
- Vietnã, Albânia, Bahamas e Belize: Marcelo Paz Saraiva Câmara aponta crescimento vietnamita e potencial comercial; Fabio Vaz Pitaluga fala da integração europeia da Albânia; Ricardo André Vieira Diniz destaca o potencial de alimentos na Bahamas; Olyntho Vieira comenta a relevância de Belize como observatório regional e foco em ajuda humanitária.
A Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira (20), seis indicados pela Presidência da República para chefiar embaixadas no Japão, Omã, Vietnã, Albânia, Bahamas e Belize. A sabatina ocorreu com senadores e os nomes vão a votação em Plenário, prevista para o mesmo dia.
Além disso, os senadores aprovaram a indicação do diplomata Ricardo de Souza Monteiro para a representação brasileira na ONU e outros organismos internacionais na Suíça. A votação ficou em 11 votos favoráveis e 1 voto contrário.
Omã
João Batista do Nascimento Magalhães, diplomata desde 1994, destacou que Omã enfrenta hostilidades do Irã e bloqueio no estreito de Hormuz, com queda de cerca de 95% no transporte de petróleo, segundo ele. A visita aponta oportunidades de ampliar o comércio bilateral, com a Vale operando em Omã desde 2008 e aval de investimentos no terminal portuário de Santa Catarina.
Senador Hamilton Mourão ressaltou que o Brasil é o principal parceiro latino de Omã, principalmente na exportação de carne e frango. O plano Omã 2040, no entanto, é visto como desafio para produtores brasileiros. Magalhães é graduado em direito pela USP e atua hoje em Pequim.
Japão
Paulo Roberto Soares Pacheco afirmou que as relações com o Japão ajudam a mitigar instabilidades de outras nações que afetam a cadeia produtiva global. A cooperação deverá avançar em semicondutores, comunicações, soluções verdes, segurança energética, biotecnologia e minerais críticos.
O relator Fernando Dueire destacou que cerca de 2,7 milhões de japoneses vivem no Brasil, com a maior comunidade japonesa fora do Japão. Pacheco ingressou no Itamaraty em 1988 e atualmente atua como embaixador em Santiago, no Chile.
ONU
Caso aprovado, Ricardo de Souza Monteiro atuará em Genebra, na Suíça, junto à ONU, UIP, OMS e OIT, entre outros órgãos. A delegação brasileira em Genebra é a mais antiga missão multilateral do país e abriga várias organizações internacionais.
Monteiro é diplomata desde 1994, com mestrado em administração na Bélgica e especialização em barreiras sanitárias ao comércio. A indicação foi relatada pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS).
Vietnã
Marcelo Paz Saraiva Câmara ressaltou o crescimento econômico do Vietnã, hoje com o 34º maior PIB global. Hanói tem sinalizado desejo de ampliar parceria com o Brasil, incluindo possível acordo comercial preferencial entre Vietnã e Mercosul.
Nelsinho Trad explicou que o Brasil é visto como parceiro estratégico para reduzir dependência de grandes economias. Câmara, graduado em relações internacionais pela UnB, ingressou no Itamaraty em 1996 e, desde 2022, está à frente do Departamento de Assuntos Estratégicos, de Defesa e Desarmamento.
Albânia
Fabio Vaz Pitaluga, diplomata desde 1990, apontou o histórico de isolamento da Albânia e seu avanço em direção à integração europeia. O país tem acordo comercial com o Mercosul e busca adesão à União Europeia.
Mourão, relator, considerou modesto o comércio Brasil-Albânia, liderado pela venda de carnes. Pitaluga tem especialização em compras governamentais e negociações em blocos de livre comércio; é bacharel em Economia pela PUC-Rio e comanda a Embaixada do Brasil na Armênia.
Bahamas
Ricardo André Vieira Diniz destacou que combustíveis são o principal eixo do comércio com Bahamas, mas há grande potencial para alimentos brasileiros. O primeiro-ministro Philip Davis manifestou desejo de ampliar importações de carne brasileira.
Moro, relator da indicação, explicou que Bahamas integra a Commonwealth e tem a maior renda per capita do Caribe. Diniz é graduado em matemática, física e filosofia e ingressou no Itamaraty em 1986; atuou no Consulado-Geral em Cidade do Cabo (2020-2025).
Belize
Olyntho Vieira, diplomata desde 1984, ressaltou que Belize é um país jovem e de economia baseada em produtos primários, turismo e call centers. A posição brasileira no Caribe o coloca como ponto de observação em segurança regional.
Esperidião Amin, relator, disse que a relação Brasil-Belize é marcada por ajuda humanitária, com Belize frequentemente atingido por furacões. Vieira é engenheiro mecânico e ingressou no Itamaraty em 1984, com atuação na proteção internacional de refugiados.
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