- O Board of Peace informou ao Conselho de Segurança da ONU que o principal obstáculo para o plano de Gaza é Hamas não entregar armas nem ceder controle, mas há preocupação com a falta de financiamento.
- Nove países haviam prometido $7bn para um pacote de ajuda, mas apenas os Emirados Árabes Unidos e Marrocos já enviaram recursos; no total, o BoP recebeu $23m para operações e $100m para uma futura força policial palestina.
- A ONU estima que o custo total da reconstrução de Gaza pode superar $70bn ao longo de décadas.
- Diversos países que inicialmente se comprometeram a pagar estão relutantes, citando o impasse diplomático e o contexto regional como justificativa para atrasos.
- Não há avanço significativo no terreno: não há força internacional, setores de ajuda operam com dificuldades, e o governo palestino em Gaza permanece à margem dos planos de reconstrução.
O caminho para a reconstrução de Gaza permanece travado, mais de sete meses após um cessar-fogo mediado por Donald Trump. Não há obras em andamento, o chamado Board of Peace enfrenta dificuldades de financiamento, e tecnocratas palestinos escolhidos para gerir o território estão afastados no Egito.
O BoP aponta como principal entrave a recusa do Hamas em entregar armas e ceder o controle, segundo um documento apresentado à ONU em 15 de maio. Contudo, pessoas próximas ao grupo destacam que déficits de recursos podem comprometer o plano.
Onze países haviam prometido 7 bilhões de dólares para um pacote de alívio a Gaza na reunião inaugural do BoP, presidido por Trump. Até o momento, apenas Emirados Árabes Unidos e Marrocos encaminharam verbas.
A instituição recebeu 23 milhões de dólares para custos operacionais e um aporte de 100 milhões para financiar uma futura força policial palestina. Em conjunto, esse montante representa menos de 2% do total prometido.
A Organização das Nações Unidas estima que o custo total da reconstrução de Gaza exceda 70 bilhões de dólares ao longo de décadas. A falta de desembolso compromete planos de longo prazo para infraestrutura, saúde e serviços públicos.
Alguns países que inicialmente contribuíram com o BoP passaram a relutar em pagar, após meses de diplomacia interrompida. Diplomata afirmou que o cenário regional, incluindo o conflito com o Irã, dificulta novas entradas de recursos.
Nickolay Mladenov, enviado da ONU para apresentar a visão de Trump, disse em Jerusalém que os palestinos em Gaza foram discados pela comunidade internacional. Ele reforçou que a porta para o futuro da região continua fechada.
O relatório do dia 15 de maio pediu aos doadores que contribuíssem sem mais demora, ressaltando que recursos já comprometidos mas não disbursados criam uma lacuna entre um plano teórico e a entrega prática às pessoas de Gaza.
Um alto funcionário do BoP negou dificuldades de financiamento e afirmou que os doadores seguem comprometidos. Em resposta, o BoP reiterou a necessidade de pagamentos para manter programas em estágio de planejamento.
A agenda de gastos inclui salários de 12 palestinos escolhidos para uma futura administração civil em Gaza, a NCAG, que permanece no Egito esperando garantias de segurança e autorizações para entrar no território.
As informações indicam salários entre 16 mil e 17 mil dólares mensais para esses tecnócratas, enquanto Mladenov receberia cerca de 400 mil dólares por ano. O BoP afirmou que números de salários não são oficiais.
Um porta-voz do BoP disse que os valores citados eram incorretos e que pagamentos seguem o padrão da Autoridade Palestiniana. O NCAG, segundo fontes, não impactou ainda a vida cotidiana em Gaza.
O cessar-fogo assinado em outubro do ano anterior foi criticado por ser vago sobre reconstrução, governança e segurança. Não houve força internacional nem planos concretos para criá-la, e o controle de áreas fica maior parte sob autoridade israelense.
A maior parte da população continua em acampamentos precários, com carências de água, alimentos e serviços básicos. Escolas não reabriram e a região enfrenta déficits contínuos em qualquer fornecimento de ajuda humanitária.
Planos apresentados por Trump e aliados para transformar Gaza em polo de turismo e comércio não avançaram, com projetos de aeroportos, portos e cidades digitais ainda na fase de discussão e planejamento.
Diversos empreiteiros afirmaram ter propostas para remoção de escombros, segurança e construção de complexos, mas sem contratos firmes. A expectativa é de que novos acordos possam surgir conforme avanços diplomáticos.
Autoridades destacam que, mesmo com o descontentamento de ambas as partes, não houve estimativa de conclusão ou data para o reinício de obras significativas. A situação continua dificultando a vida de milhões de palestinos em Gaza.
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