- Uruguaio Horácio Goicoechea viajou do Brasil a Montevidéu para participar da Marcha do Silêncio, protesto que busca respostas sobre crimes da ditadura.
- A marcha, realizada todo 20 de maio desde 1996, reúne pessoas na Avenida 18 de julio para lembrar os desaparecidos e cobrar esclarecimentos.
- Horácio perdeu o irmão Gustavo Goycoechea Camacho em 1977, em Buenos Aires, em ações associadas à Operação Condor; o casal foi levado de casa e o paradeiro permanece desconhecido.
- Nesta edição, a lista de desaparecidos reuniu 205 nomes; 43 casos são considerados esclarecidos ao longo dos anos.
- O Senado aprovou, no dia 5, uma declaração pedindo que informações sobre presos desaparecidos sejam apresentadas à Instituição Nacional de Direitos Humanos (INDDHH).
Horácio Goicoechea, uruguaio naturalizado brasileiro, viajou de Porto Alegre a Montevidéu para participar da 31ª Marcha do Silêncio, realizada todo 20 de maio desde 1996. O objetivo é cobrar respostas sobre crimes da ditadura.
A marcha reúne familiares de desaparecidos e milhares de pessoas na Avenida 18 de julho, em Montevidéu. Este ano, a lista de desaparecidos reconhece 205 casos, incluindo Gustavo Goycoechea Camacho, irmão de Horácio, cujo paradeiro permanece desconhecido.
Horácio tem 83 anos e vive no Rio Grande do Sul desde os anos 1960. Em 1977, soube do desaparecimento do irmão, ocorrido na madrugada de 23 de dezembro em Buenos Aires, durante ação ligada à Operação Condor. A família manteve o retrato do irmão na parede.
Na ocasião, o casal foi levado a centros de detenção clandestinos. O filho do casal, Nicolás, foi entregue a uma vizinha e sequestrado pela ditadura. Horácio passou décadas buscando informações, levando o retrato do irmão em viagens pelo interior do Brasil.
A Marcha do Silêncio ganhou adesão regional após os impactos da pandemia. Em Montevidéu, a caminhada termina com a leitura dos nomes dos desaparecidos. Em 2026, o evento registrou a inclusão de oito novos nomes, totalizando 205 pessoas.
Patrocínio institucional e cobrança por informações
- A organização Famidesa mantém a lista com casos ainda não esclarecidos, mas também reconhece casos que tiveram desfecho com identificação de restos mortais.
- Em 2024, o governo uruguaio promoveu reuniões com familiares, após críticas sobre a falta de respostas práticas.
- Em 5 de maio, o Senado uruguaio aprovou uma declaração para que informações sobre presos desaparecidos sejam apresentadas à INDDHH, órgão de direitos humanos.
Essa decisão legislativa é vista pelos familiares como um possível passo para pressionar por avanços. Segundo a Famidesa, o desaparecimento forçado é considerado crime permanente que exige esclarecimento contínuo.
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