- EUA, China e Rússia não querem que o Irã tenha arma nuclear, por riscos de proliferação e perda de influência internacional.
- Putin e Xi discutiram o tema e acusaram EUA e Israel de violar o direito internacional ao atacarem o Irã.
- A China teme que o Irã arme-se e isso leve Japão, Coreia do Sul e Taiwan a buscarem arsenais nucleares.
- A Rússia vê necessidade de manter relevância mundial e evitar dependência de armamentos iranianos, podendo apoiar a transferência de urânio enriquecido para Moscou.
- Há relatos de que, sob condições, o Irã pode transferir urânio enriquecido para a Rússia; os EUA negam considerar essa opção, enquanto a AIEA já discutiu a retirada do urânio com Rússia.
A reunião entre o presidente russo Vladimir Putin e o presidente chinês Xi Jinping acabou por abrir espaço para uma convergência de interesses sobre o Irã. Em uma declaração conjunta, Moscou e Pequim criticaram ataques dos EUA e de Israel ao Irã, ao mesmo tempo em que deixaram claro que não apoiam que Teerã desenvolva armas nucleares.
A posição conjunta reflete um interesse comum: evitar que o Irã alcance capacidade nuclear militar, comportamento visto como um risco para a estabilidade regional e para o controle do TNP. Analistas destacam que nenhum dos três quer ampliar o alcance do clube nuclear mundial.
Para a China, há o argumento de que o Irã armado poderia estimular Japão, Coreia do Sul e Taiwan a buscarem arsenais. Já para a Rússia, o temor é perder a dependência de Teerã para armamentos, num momento de peso econômico causado pela guerra na Ucrânia. Os EUA enxergam nisso uma oportunidade política, principalmente para Trump.
Outra dimensão discutida, segundo fontes russas, envolve o potencial envio de urânio enriquecido iraniano para a Rússia, sob condições específicas, ao invés de para os Estados Unidos. A Rússia diz apoiar o direito do Irã a qualquer uso pacífico de energia nuclear, dentro do marco do TNP.
Em reação, o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, afirmou que o governo não trabalha com a ideia de transferir o urânio para a Rússia. A declaração ocorreu durante coletiva na terça-feira (19), destacando ainda que não há compromissos prévios sobre negociações em temas específicos.
A IAEA já havia sinalizado, via seu diretor-geral Rafael Grossi, que discutiu com a Rússia a retirada de urânio altamente enriquecido do Irã. A possibilidade de uma operação desse tipo demanda acordos políticos complexos e envolve riscos para as dinâmicas diplomáticas regionais.
Oficialmente, China e Rússia ainda não comentaram as conversas entre Xi Jinping, Putin e Donald Trump sobre o tema, e não houve resposta formal dos governos russos ou chineses ao pedido de comentário do blog. A expectativa é de que novos diálogos ocorram para esclarecer posições.
Resta entender quanto tempo a diplomacia terá fôlego diante das pressões no Oriente Médio. Analistas apontam que a figura de Xi Jinping pode ganhar protagonismo como mediador diante do impasse entre EUA e Irã, sem sinal claro de conclusão imediata.
Entre na conversa da comunidade