- Cuba está disposta a negociar com os Estados Unidos e pode fazer mudanças em sua economia e no governo, segundo o embaixador cubano na ONU, Ernesto Soberón Guzmán.
- O embaixador afirmou que não há assuntos tabu, mas não detalhou quais mudanças poderia aceitar e disse duvidar da boa fé da Casa Branca.
- Na mesma semana, os EUA anunciaram sanções contra autoridades cubanas, incluindo três ministros e líderes militares, além de dedicarem acusações a Raúl Castro por suposta conspiração para matar americanos em 1996.
- Guzmán mencionou que Cuba aceitaria os US$ 100 milhões em ajuda humanitária oferecidos pelos EUA, mas classificou o montante como um insulto, e lembrou da crise energética causada pelo embargo.
- O diplomata apontou áreas de possível cooperação com os EUA, como imigração, turismo, agricultura, produção de medicamentos e combate ao narcotráfico, mas reiterou que Cuba não aceitará lições sobre democracia.
Cuba afirmou estar disposta a negociar com os Estados Unidos e abrir mudanças na economia e no governo. O anúncio foi feito pelo embaixador cubano na ONU, Ernesto Soberón Guzmán, em entrevista ao The New York Times, na quarta-feira (20).
O diplomata disse que Cuba não impõe temas inaceitáveis e que a conversa deve ocorrer com reciprocidade e igualdade. Entretanto, alertou que não acredita que a Casa Branca atue com boa-fé, e criticou a retórica belicista usada pelos EUA.
A entrevista ocorreu no mesmo dia em que Washington revelou novas acusações contra Raúl Castro, ex-presidente e figura da Revolução Cubana, envolvendo conspiração para matar norte-americanos e outros crimes. O governo americano também impôs sanções a ministros e estruturas militares cubanas.
Cooperação e situação econômica
Guzmán mencionou a oferta norte-americana de US$ 100 milhões em ajuda humanitária, que Cuba aceitaria, mas classificou a proposta como um insulto. O país enfrenta apagões e crise energética, agravados pelo embargo e pelo bloqueio de petróleo.
O embaixador apontou que Cuba já utiliza reservas próprias de combustível, além de energia renovável, para manter a rede elétrica. Mesmo assim, citou potencial de cooperação em áreas como imigração, turismo, agricultura, produção de medicamentos e combate ao narcotráfico.
Ponto de vista sobre democracia
O embaixador reforçou que Cuba não aceitará lições sobre democracia, questionando o modelo eleitoral dos EUA. Também afirmou que as relações positivas do governo americano com outros países não democráticos não justificam pressão sobre Cuba.
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