- Nadia Marcinko, ex-namorada de Jeffrey Epstein, pode ser convocada por parlamentares dos EUA para depor sobre o caso.
- Marcinko foi apontada entre as quatro mulheres consideradas “potenciais co-conspiradoras” em um acordo judicial de 2008, que lhe concedeu imunidade.
- Ela era a principal parceira de Epstein por sete anos e atuou como piloto assistente de seu jato particular; não foi acusada de crime, mas testemunhos de jovens de Palm Beach já a envolveram em abusos.
- Documentos e e-mails obtidos pela BBC indicam que Epstein e Marcinko desejavam formar uma família e que ela ajudou a recrutar outras mulheres, além de relatos de violência física por parte de Epstein.
- Após décadas de associação, Marcinko cooperou com o FBI em 2018; desde então teve o status de imunidade colocado em questionamento, enquanto o comitê avalia chamá-la para depor.
Nadia Marcinko, ex-namorada de Jeffrey Epstein, pode ser convocada por parlamentares dos EUA para depor. Durante a primeira passagem de Epstein pela prisão, foi registrada a visita de uma mulher a ele 67 vezes. A visitante era Marcinko, que ficou ao lado de Epstein por sete anos.
Marcinko foi a parceira mais importante de Epstein após Ghislaine Maxwell e, depois, tornou-se piloto assistente de seu jato particular. Ela figura entre quatro mulheres apontadas como potenciais cúmplices no acordo de 2008 que garantiu imunidade a essas assistentes.
Marcinko nunca foi acusada formalmente, segundo autoridades. Seus advogados dizem que ela é vítima de Epstein, apesar de depoimentos de jovens em Palm Beach apontarem participação dela. Parlamentares avaliam se o acordo de imunidade deve impedi-la de ser interrogada.
A BBC investigou por meses, ouvindo fontes que conheceram Marcinko e analisando e-mails entre ela e Epstein. Os arquivos indicam que eles desejavam constituir família e que Marcinko poderia ter recrutado outras mulheres para satisfazer os desejos sexuais do financista.
Contexto histórico
Os e-mails revelam tendências coercitivas por parte de Epstein. Marcinko relatou aos investigadores que o financiarista era fisicamente violento, chegando a cometer abusos. Trechos do depoimento, divulgados pelo Departamento de Justiça, corroboram detalhes já conhecidos sobre o abuso.
Marcinko não respondeu a pedidos de entrevista. Desde a morte de Epstein em 2019, ela afastou-se da vida pública. Documentos indicam que, após a prisão de Epstein, Marcinko colaborou com o FBI a partir de 2018, o que sustenta o debate sobre imunidade e qualificação de vítima versus cúmplice.
Trajetória profissional e pessoal
Marcinko nasceu na Eslováquia e conheceu Epstein em Nova York, em 2003, aos 18 anos, durante festa de Jean-Luc Brunel. A relação se intensificou, com viagens constantes entre Palm Beach, a ilha Little St James e a sede de negócios. Epsten financiava atividades da agência de Brunel.
Relatos indicam que, ao longo dos anos, Epstein manteve controle de diversos aspectos da vida de Marcinko, incluindo decisões pessoais e cirurgias plásticas. Em 2009, ela passou a atuar como piloto, ganhando destaque em projetos ligados à aviação.
Em 2010, Marcinko diz ter rompido o relacionamento devido à violência. Ainda assim, manteve a colaboração com Epstein em voos para a ilha e, posteriormente, tornou-se instrutora de voo na DEKA, empresa de Dean Kamen. Em 2015, relatos indicam apoio financeiro dele a renda dela.
Situação atual e perspectivas
Marcinko permaneceu fora dos holofotes desde 2019. A imunidade prevista no acordo de 2008 volta a ser alvo de questionamentos, com a congressista Anna Paulina Luna defendendo a necessidade de nova avaliação. A decisão sobre convocação ainda não foi tomada.
Bridgette Carr, professora de direito, aponta que a linha entre vítima e cúmplice depende de como a vítima utilizou o poder do agressor ao longo do tempo. A análise envolve o alcance do controle e a distância da dependência imposta pelo agressor.
Marcinko é citada em mensagens de 2012 que indicam críticas internas ao padrão de manipulação de Epstein. Em tom de alerta, ela descreve como reconhecia os padrões dele para seduzir e ferir outras pessoas, mantendo-se leal por lealdade, ainda que confessando culpa.
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