- A Justiça francesa condenou a Airbus e a Air France por homicídio culposo no caso do voo AF447, que caiu no Atlântico em 2009 entre Rio de Janeiro e Paris, deixando 228 mortos.
- O Tribunal de Apelação de Paris considerou as duas empresas “única e inteiramente responsáveis” pela tragédia e aplicou multa de 225 mil euros a cada uma.
- Em 1ª instância, as empresas haviam sido absolvidas das acusações criminais, mas já havia reconhecido responsabilidade civil; a apelação mudou esse entendimento.
- A defesa apontou que houve falhas da Air France no treinamento de pilotos para situações com congelamento das sondas Pitot e na orientação sobre os riscos do problema. A Airbus foi responsabilizada por subestimar falhas nos sensores e não alertar com maior urgência as companhias que utilizavam o sistema.
- O acidente ocorreu em 1º de junho de 2009, não houve sobreviventes entre 216 passageiros e 12 tripulantes; entre as vítimas estavam franceses e brasileiros.
A justiça francesa condenou a Airbus e a Air France por homicídio culposo no caso do voo AF447, que caiu no Atlântico em 2009, entre o Rio de Janeiro e Paris. A decisão foi proferida pelo Tribunal de Apelação de Paris nesta quinta-feira, 21, encerrando o processo que teve desfecho civil e penal. Cada empresa foi multada em 225 mil euros.
A corte entendeu que as companhias foram responsáveis pela tragédia, reconhecendo falhas que contribuíram para o acidente. A Air France foi responsabilizada por não treinar adequadamente a tripulação para situações envolvendo congelamento das sondas Pitot. A Airbus, por subestimar as falhas dos sensores e não alertar com urgência as operadoras.
O voo AF447 ocorreu em 1º de junho de 2009, na rota Rio de Janeiro–Paris. Não houve sobreviventes entre os 216 passageiros e 12 tripulantes. Entre as vítimas estavam 72 franceses e 58 brasileiros, inclusive profissionais do meio jurídico brasileiro.
Segundo as investigações, o A330 enfrentou forte instabilidade meteorológica perto da Linha do Equador, com falhas nas sondas que medem a velocidade. A perda de informações técnicas prejudicou o controle da aeronave, levando à queda após cerca de quatro minutos.
Durante o julgamento, as defesas alegaram que decisões da tripulação teriam peso decisivo. Para os magistrados, as falhas associadas a fabricante e operadora tiveram relação direta com o desfecho fatal.
Advogados de familiares afirmam que cabem novos recursos à mais alta instância da justiça francesa, o que pode estender o andamento do caso por anos. A decisão não é a última palavra sobre o tema.
Entre as vítimas estavam também profissionais ligados ao direito brasileiro. O juiz federal aposentado José Gregório Moreno Marques viajava com a esposa, a advogada Maria Tereza Moreno Marques, para celebrar seus 72 anos.
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