- Beatriz Moreira, 23 anos, brasileira, integrava a flotilha de ajuda humanitária a Gaza e diz ter sido agredida por soldados israelenses durante a prisão.
- Mais de quatrocentos integrantes da flotilha foram detidos por Israel em águas internacionais e deportados para a Turquia; outros três brasileiros desembarcaram em Istambul na quinta-feira.
- Beatriz relata condições precárias no navio-prisão, com falta de água, pão congelado e cerca de sessenta pessoas dormindo amontoadas em contêineres, além de uso de balas de borracha.
- Segundo ela, houve tortura durante a ancoragem, com prisões sendo submetidas a revistas agressivas, além de agressões físicas durante a retirada do navio.
- Além de Beatriz, estão no grupo Ariadne Teles e Thainara Rogério; o médico Cássio Pelegrini foi internado em Istambul por ferimentos; o grupo planeja seguir com uma caravana humanitária a partir da Líbia.
Beatriz Moreira, 23, ativista brasileira, afirma ter sido agredida por soldados israelenses durante a prisão de integrantes da flotilha de ajuda humanitária destinada à Faixa de Gaza. Ela foi presa junto com mais de 400 pessoas em águas internacionais e deportada para a Turquia.
O grupo, formado por brasileiros e outras nacionalidades, foi interceptado por barcos israelenses na segunda-feira e conduzido a um navio-prisão. Ao todo, oito brasileiros estavam entre os detidos que desembarcaram em Istambul na quinta-feira. A brasileira é natural de Belém (PA) e atua como educadora; participou da COP 30, em Belém, como liderança de movimentos sociais.
Segundo dados do movimento envolvido, o médico Cássio Pelegrini também estava na flotilha e precisou de internação em Istambul por ferimentos relatados como tortura. Além dele, integram o grupo Ariadne Teles, Thainara Rogério e outros dois brasileiros que pretendem retornar ao Brasil na próxima semana.
Detenção e denúncias de maus-tratos
Beatriz descreve condições precárias a bordo do navio-prisão, com falta de água e alimento, e pés de gelo que indicavam o frio. Ela afirma que houve disparos de balas de borracha contra os detidos e que três pessoas ficaram feridas sem acesso a medicamentos.
A prisão na chegada ao porto gerou relatos de violência durante a retirada, com algemas apertadas e lesões, além de insultos. A ativista relata que as pessoas foram forçadas a ficar de joelhos com a cabeça no chão, enquanto sons de ataques eram ouvidos pelos demais detidos.
Situação atual e próximos passos
Forças israelenses teriam tentado obrigar os presos a assinar documentos de admissão de irregularidade, prática que Beatriz teria recusado. A organização envolvida mantém que a violência observada supera episódios anteriores de flotilhas similares.
Os ativistas helicaram planos de seguir com ajuda humanitária por meio de uma caravana terrestre a partir da Líbia, com destino à Faixa de Gaza. O objetivo é manter o envio de suprimentos, mesmo após a interceptação e deportação.
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