- Moradores de Nuuk protestaram contra a presença dos Estados Unidos em frente ao novo consulado, reunindo cerca de quinhentos participantes.
- A manifestação foi organizada por Aqqalukkuluk Fontain e destacou que a Groenlândia não está à venda e possui sua própria democracia.
- O consulado, com três mil metros quadrados, foi inaugurado horas antes da mobilização, sendo visto por muitos como símbolo de maior presença americana.
- O contexto envolve negociações entre Estados Unidos, Dinamarca e autoridades groenlandesas sobre bases militares e acesso a minerais, com a China mantendo a posição de defesa da influência estrangeira na ilha.
- A visita do envio especial Jeff Landry, governador da Louisiana, ocorrida na semana anterior, gerou críticas, incluindo participação em uma cúpula de negócios e reunião com o primeiro-ministro.
Dois a três meses após a inauguração do novo consulado dos EUA em Nuuk, moradores da Groenlândia protestaram contra a presença americana. A manifestação, em frente ao prédio de 3 mil m², reuniu cerca de 500 pessoas. O ato foi organizado por Aqqalukkuluk Fontain, gestor de TI local.
Os participantes defenderam que a Groenlândia não está à venda e que tem sua própria democracia. Fontain afirmou à BBC que o objetivo é mostrar ao mundo a autonomia do território, sem provocar Washington. O protesto ocorreu logo após a abertura do consulado.
O prédio, caraterizado pela população como símbolo da expansão norte-americana, está situado no centro de Nuuk. A mudança de tom na relação com os EUA vem sendo acompanhada por negociações entre autoridades groenlandesas e dinamarquesas sobre bases militares e acesso a minerais.
Visita indesejada
A mobilização ganhou contornos adicionais com a visita de Jeff Landry, governador da Louisiana, enviado especial para a Groenlândia. Landry chegou à ilha na semana passada, acompanhado de uma delegação controversa e de um médico, sob críticas locais.
No domingo 17, Landry participou de uma cúpula de negócios e teve encontros com o primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen. Empresários, no entanto, teriam ignorado parte da agenda, gerando insatisfação entre moradores e autoridades.
Na quinta-feira 21, manifestantes compararam a visita a uma provocação e percorreram o centro de Nuuk, em silêncio, com a multidão voltada para o consulado. O coro popular manteve o foco em que a Groenlândia deve decidir sobre seu destino, sem interferência externa.
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