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Província na RDC proíbe velórios para evitar propagação do ebola

Província de Ituri proíbe velórios para conter Ebola, evidenciando choque entre tradições e medidas sanitárias e elevando risco regional

Policiais guardam centro de saúde em chamas após ataques em Rwampara perto de Bunia, província de Ituri
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  • A província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo, proibiu velórios para conter o Ebola, após confronto entre moradores e polícia em Rwampara.
  • A Organização Mundial da Saúde elevou o surto da cepa Bundibugyo à condição de Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, citando violência, desinformação e alta mobilidade como entraves.
  • Até o momento, são quase setecentos e cinquenta casos suspeitos e cento e setenta e sete mortes suspeitas, com dois casos confirmados na Uganda.
  • O governo de Ituri também proibiu o transporte de corpos em veículos que não sejam médicos, limitou reuniões públicas a no mínimo cinquenta pessoas e suspendeu o campeonato local de futebol.
  • Ruanda restringiu a entrada de estrangeiros que viajaram pelo Congo; os Estados Unidos anunciaram restrições de viagem e a ONU liberou cerca de sessenta milhões de dólares para apoio emergencial.

A província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo, proibiu velórios para conter a propagação do ebola. O anúncio ocorreu anteontem, após confrontos entre moradores e polícia que tentavam pegar o corpo de uma vítima em Rwampara. A medida visa reduzir contatos de alto risco durante rituais fúnebres.

O surto atual envolve a cepa bundibugyo, considerada rara. A OMS classifica o registro como emergência de saúde pública de importância internacional. O órgão cita desafios como detecção tardia, violência e mobilidade de população, que dificultam a resposta.

Quase 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas foram relatados no leste do país, segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Dois casos foram confirmados na vizinha Uganda. Ele ressaltou que violência e insegurança afetam a vigilância e os testes.

A OMS elevou o nível de risco do surto no Congo de alto para muito alto, mantendo o risco regional elevado e o global baixo. Além de Ituri, dezenas de grupos armados atuam na região, incluindo o grupo M23, que controla áreas significativas com casos detectados.

Nesta sexta, um governador indicado pelo M23 na província de Kivu do Norte suspendeu o transporte público entre Goma, base rebelde, e Butembo, cidade próxima a Ituri. A medida busca conter a mobilidade que facilita a transmissão.

Governo de Ituri impõe medidas restritivas

Em decreto, o governo provincial de Ituri determina sepultamentos apenas por equipes especializadas e proíbe o transporte de cadáveres em veículos que não sejam médicos. Reuniões públicas foram limitadas a 50 pessoas e o campeonato local de futebol foi suspenso.

O Ebola provoca febre, dores no corpo, vômitos e diarreia. A transmissão ocorre por contato direto com fluidos corporais. Enterros inseguros são uma via comum de disseminação, especialmente se familiares manipularm o corpo sem proteção.

A OMS informou que o primeiro caso conhecido do surto atual foi registrado em Bunia, capital de Ituri, em 24 de abril. A transmissão ocorreu durante uma cerimônia fúnebre em Mongbwalu, quando participantes tocaram o corpo.

Voluntários da Cruz Vermelha relatam atuação para combater falsas informações sobre o vírus. A organização afirmou que a desinformação tem dificultado as ações de saúde pública.

Ruanda anunciou restrições de entrada para estrangeiros que viajaram pelo Congo nos últimos 30 dias; cidadãos ruandeses e residentes na situação passam por quarentena. A OMS recomenda manter fronteiras abertas para evitar travessias informais.

Os EUA mantêm restrições de viagem vindas do Congo, Uganda e Sudão do Sul e trabalham em tratamentos para a cepa Bundibugyo, conforme autoridades de saúde americanas. A ONU também libera cerca de US$ 60 milhões para o fundo emergencial do surto.

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