- O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que a Casa Branca está muito foco em mudar o regime cubano e informou que Havana aceitou um pacote de ajuda de US$ 100 milhões.
- Rubio afirmou que o sistema econômico de Cuba não funciona e não pode ser consertado pelo atual modelo político.
- Enquanto isso, o porta-aviões USS Nimitz e navios de escolta entraram no Caribe.
- A Suprema Corte dos EUA decidiu a favor de uma empresa portuária de origem norte‑americana cuja propriedade na orla do cais foi confiscada em 1960, após Fidel Castro assumir o poder.
- Analistas divergem sobre o impacto da decisão e sobre as intenções dos EUA e de Havana, com visões diferentes sobre possíveis mudanças no regime e nas relações entre os dois países.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, confirmou que a administração está fortemente direcionada a mudar o regime de Cuba. Havana teria aceitado um pacote de ajuda de 100 milhões de dólares, anunciado na véspera do indiciamento de Raúl Castro por assassinato e conspiração para matar cidadãos norte-americanos. Rubio criticou o atual sistema econômico cubano e afirmou que não há espaço para rendição ou atraso.
Enquanto Rubio falava a jornalistas em Miami, o porta-aviões USS Nimitz e navios de escolta entraram no Caribe, sinalizando pressão militar. O governo cubano, segundo ele, ainda não recebe garantias de que Washington apoiará condições semelhantes às propostas por Havana para a ajuda externa.
Juízo da Suprema Corte
A Suprema Corte dos EUA decidiu a favor de uma empresa portuária norte-americana que teve propriedades confiscadas na orla de um cais após a tomada de poder por Fidel Castro em 1959. A decisão pode abrir caminho para novos requerimentos de indenização por parte de empresas e indivíduos dos EUA, sob a Lei Helms-Burton.
Avaliações de especialistas
William LeoGrande, professor da American University, disse que Cuba exigiu que a ajuda fosse enviada sem condições políticas. Ele comparou a abertura de Havana com resultados de sanções norte-americanas, destacando que cortes de petróleo poderiam agravar crises, ainda que haja canais de cooperação.
Jorge I. Domínguez, da Harvard, avaliou a ajuda de 100 milhões como modesta frente a sanções existentes, ponderando que as intenções de Trump variam entre mudanças econômicas, políticas e desdobramentos militares. Também destacou que o porta-aviões entrou no Mar do Caribe após concluir exercícios com a Marinha brasileira.
Perspectiva cubana e pontos de discussão
Jorge Duany, da Universidade Internacional da Flórida, afirmou que o regime cubano não tem mostrado disposição para reformas significativas sob pressão externa. Segundo ele, Havana tem aberto apenas discussões sobre temas bilaterais como migração, narcotráfico e compensação por expropriações, sem abrir mão de soberania.
A decisão da Suprema Corte é vista como avanço para requerentes sob a Lei Helms-Burton, permitindo a revisão de valores de indenização por propriedades confiscadas. O caso relacionado à Havana Docks Corporation pode exigir avaliação de danos por parte de tribunais federais de apelação.
Reação internacional
O governo da China reafirmou apoio a Cuba e criticou sanções unilaterais, afirmando oposição à interferência externa. Pequim enfatizou que a soberania cubana deve ser respeitada e que medidas coercitivas não devem ser usadas para obter ganhos políticos.
Especialistas brasileiros ouvidos pelo Correio comentaram que a situação política em Cuba ainda depende de negociações complexas, com foco em segurança, economia e soberania. As avaliações divergem sobre a efetividade de mudanças rápidas no regime cubano.
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