- No Afeganistão, três em cada quatro pessoas não conseguem atender às necessidades básicas e 4,7 milhões estão à beira da fome, segundo a ONU.
- Em Ghor, desemprego é generalizado e muitos homens recebem apenas dias de trabalho; há relatos de fome entre famílias que dependem de restos de pão para sobreviver.
- Em casos reportados, homens afirmam estar dispostos a vender filhas para pagar tratamentos médicos ou alimentar a família; um pai vendeu a filha de cinco anos para cirurgia, recebendo parte do pagamento de forma parcelada.
- Hospitais públicos enfrentam grave falta de recursos: unidade neonatal com leitos lotados, alta mortalidade infantil e escassez de medicamentos, levando famílias a comprar remédios em farmácias externas.
- Doadores internacionais reduziram drasticamente a ajuda humanitária, agravando a crise econômica e de alimentação, enquanto o governo talibã atribui a pobreza a governos anteriores e aponta planos de longo prazo.
O Afeganistão vive uma crise severa de fome e pobreza. Três quartas partes da população não atende às necessidades básicas, enquanto a ajuda humanitária foi reduzida significativamente nos últimos anos.
Em Ghor, a pobreza se mostra no cotidiano: centenas de homens buscam trabalho ao amanhecer em Chaghcharan, com esperança de alimentar as famílias. A oferta de vagas é baixa e o salário diário fica entre 150 e 200 afeganes, cerca de 13 a 17 reais.
Nas casas da região, o desespero se traduz em decisões extremas. Um homem de 45 anos afirma que, diante de dívidas e fome, já considerou vender uma filha para sustentar o restante da família.
A crise afeta especialmente os jovens e as mulheres. O Afeganistão registra altos índices de desnutrição infantil e mortalidade entre bebês, agravados pela escassez de medicamentos e pela falta de infraestrutura médica.
A situação é agravada pela redução da ajuda externa. Dados da ONU apontam que a assistência recebida neste ano caiu em torno de 70% em comparação com 2025, após cortes de grandes doadores e mudanças na política de financiamento.
Casos de venda de filhas para custear tratamentos médicos são relatados em família, refletindo dificuldades de acesso a cuidados básicos. Em um relato, um pai afirma ter vendido sua filha de cinco anos para cobrir despesas médicas, com a cirurgia bem-sucedida, mas com consequências sociais de longo prazo.
O governo talibã indica que a assistência humanitária não deve ser politizada e cita planos de projetos econômicos de longo prazo para reduzir pobreza, como infraestrutura e mineração. Enquanto isso, muitos afegãos permanecem sem suporte imediato.
As aldeias e cidades de Ghor mostram o impacto direto da crise. Em hospitais provinciais, unidades neonatais e pediátricas operam com recursos limitados, registros de óbito infantil aumentam e pacientes dependem de remédios comprados em farmácias privadas por famílias sem condições.
Especialistas descrevem a mortalidade infantil como um indicador crítico da desnutrição e da falha de atendimento médico. Profissionais de saúde relatam que, em alguns dias, mortes de bebês ocorrem com frequência, mesmo diante de esforços para salvar vidas.
Este panorama evidencia a ligação entre pobreza extrema, conflito, políticas de isolamento e redução de ajuda internacional, que juntos moldam uma crise humanitária de difíceis perspectivas de curto prazo. Fonte: BBC News, com atualizações de organizações internacionais.
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