- EUA apresentaram acusação contra Raúl Castro por conspiração para matar cidadãos americanos, destruição de aeronave e homicídio, relacionada a um caso de mil novecentos noventa e seis.
- O episódio aumenta as tensões com Cuba e reacende a discussão sobre quem poderia atuar como interlocutor em negociações entre os dois países.
- Segundo o analista Lourival Sant’Anna, Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro, é apontado como principal negociador do regime, por ser pragmático e ter credenciais militares; Raúl Castro não ocupa cargo formal.
- Os EUA pressionam mais, incluindo a transferência de cem milhões de dólares via Igreja Católica para contornar o governo cubano e buscar apoio entre o povo.
- O controle da informação em Cuba, aliado a problemas de energia elétrica e acesso à internet, dificulta avanços nas negociações e deixa o desfecho incerto.
Os EUA acusaram criminalmente Raúl Castro por conspiração para matar cidadãos americanos, destruição de aeronave e homicídio, em relação a um caso de 1996. O caso reacendeu a tensão entre Washington e Havana e alimentou o debate sobre quem pode atuar como interlocutor em negociações entre os dois países.
Analista de internacional da CNN Brasil, Lourival Sant’Anna, apontou que os problemas econômicos de Cuba vão além do embargo. Segundo ele, o sistema cubano ainda desincentiva o empreendedorismo, com o Estado exercendo papel central e gastando com gastos militares.
O papel de Raúl Castro
Sant’Anna destacou que Raúl Castro não ocupa cargo formal, existindo como símbolo vivo da Revolução. O analista afirma que, após Fidel, Raúl assumiu o poder e foi sucedido por Miguel Díaz-Canel, figura considerada ideológica e de difícil interlocução com os EUA.
Segundo ele, Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl, seria o principal negociador do regime com Washington. O militar, com elevada confiança no regime, cuida da segurança das autoridades cubanas e chefiou as negociações até o momento, comparando-o a Delcy Rodríguez na mediação venezuelana.
Pressão e controle da informação
Sant’Anna apontou que as negociações ainda não renderam resultados, o que levou os EUA a exercer maior pressão, incluindo o repasse de 100 milhões de dólares por meio da Igreja Católica para driblar o governo cubano. A medida busca manter popularidade entre o povo.
Ele ressaltou ainda as dificuldades de comunicação em Cuba, com forte controle de informação, problemas de fornecimento de eletricidade e acesso limitado à internet. O analista disse que não está claro o que os EUA podem obter no país.
Perspectivas futuras
A estratégia americana, segundo o analista, busca acelerar um desfecho, mas a situação permanece incerta. O episódio evidencia a dificuldade de se estabelecer interlocutores confiáveis em negociações entre EUA e Cuba. Fontes consultadas destacam que o tema segue em desenvolvimento.
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