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EUA deportaram 175 imigrantes para a África

ICE transfere imigrantes para terceiros países africanos; acordos com nações africanas ampliam deslocamentos sem avaliação de asilo

Desde julho de 2025, ações coordenadas pelo ICE colocam imigrantes em aviões e os enviam para nações com as quais não possuem nenhuma conexão
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  • EUA deportaram 175 imigrantes para África desde julho de 2025, em operação de “deportação de 3º país” com acordos com 14 nações africanas; Washington arcaria com custos e, em alguns casos, com contrapartidas econômicas.
  • O último voo identificado ocorreu em 2 de abril, levando 12 pessoas a Uganda, após acordo assinado entre os dois países em agosto de 2025.
  • Destinos incluem Gana, Guiné Equatorial, Camarões, Essuatíni, República Democrática do Congo, Sudão do Sul, Uganda e Ruanda; cidadãos de outros continentes também já estiveram nos voos.
  • As transferências abrangem pessoas que buscam asilo e indivíduos em meio a processos legais, com diferentes categorias de acordos, incluindo cooperação em asilo e medidas de detenção ou permanência no país anfitrião.
  • O caso judicial D.V.D. v. DHS levou a suspensão parcial da política em fevereiro de 2026, mas tribunais mantiveram parte das medidas mediante recursos, e o processo segue em andamento.

Desde julho de 2025, ações coordenadas pelo ICE têm colocado imigrantes em aviões para países sem ligação evidente com seus países de origem. Dados indicam que o último voo de deportação, registrado por radar, decolou em 2 de abril, levando 12 pessoas para Uganda.

Os voos ocorrem após acordos entre os Estados Unidos e 14 países africanos, firmados desde o início do 3º mandato de Trump em janeiro de 2025. Nesses acordos, Washington arca com custos e, em alguns casos, oferece benefícios a governos anfitriões.

Segundo o Third Country Deportation Watch, essas transferências abrangem várias categorias, incluindo detenção, transferência temporária e reassentamento de refugiados. Há casos em que a violação de direitos é contestada em tribunais.

Transferências para a África

A primeira transferência documentada ao continente ocorreu em 5 de julho de 2025, quando 8 pessoas foram levadas dos EUA ao Sudão do Sul em voo militar. Entre os deportados estavam cidadãos de Cuba, Laos, México, Myanmar, Sudão do Sul e Vietnã.

Relatos indicam que os imigrantes ficaram isolados em um complexo na capital Juba e tiveram pouca ou nenhuma possibilidade de contato com familiares ou defesa legal durante o processo.

As ações envolvem pessoas que chegaram aos EUA buscando asilo, bem como indivíduos já em tramitação de processos migratórios sem audiências completas. Também houve casos de reassentamento de refugiados aprovados por autoridades norte-americanas.

Aspectos legais e controvérsias

A política foi associada a medidas de endurecimento migratório sob a justificativa de enfrentar uma suposta “invasão”. Registra-se ainda o uso da Lei dos Inimigos Estrangeiros para caracterizar solicitantes de asilo como ameaça.

Em fevereiro de 2026, o caso D.V.D. v. DHS questionou a legalidade das remoções sem aviso prévio nem oportunidade de defesa. A Justiça suspendeu parte da regra, mas o DHS obteve medidas provisórias em tribunais superiores, mantendo parcialmente a política em vigor.

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