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Forças de paz encolhem pela metade em uma década

Forças de paz da ONU encolhem pela metade em uma década, com cortes de financiamento e mudança na gestão multilateral de conflitos

Blindado de transporte de tropas da ONU pega fogo após ataque na República Democrática do Congo
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  • O número de militares em missões de paz da ONU e de outras organizações caiu pela metade na última década, de 152.803 em 2016 para 78.633 em 2025, em 58 operações.
  • O orçamento para essas missões encolheu de US$ 11 bilhões em 2016 para US$ 5,5 bilhões em 2025, refletindo dificuldades de financiamento.
  • Quatro das dez maiores missões hoje não são da ONU, indicando mudança na forma de lidar com conflitos, com foco em ações mais pontuais.
  • A redução de recursos ocorreu em meio a cortes de financiamentos por parte dos Estados Unidos, que era o maior contribuinte, gerando déficit estimado de US$ 2 bilhões para fechar o orçamento de 2025.
  • O estudo aponta o enfraquecimento do multilateralismo como risco de maior conflito no futuro, e observa retração de participação, inclusive do Brasil, que vem reduzindo operações e mantém menos militares em missões no exterior.

O estudo do SIPRI aponta que a presença de militares em missões de paz caiu pela metade em uma década. Em 2016, havia 152.803 fardados em 61 missões, sendo 42,8 mil em operações não lideradas pela ONU. Em 2025, o total envolve 78.633 militares em 58 missões, com 18 chefiadas pela ONU.

A pesquisa destaca que o recuo ocorre em meio a dificuldades de financiamento e a uma mudança de paradigma no tratamento de conflitos. Em valores atualizados, o orçamento previsto para 2025 caiu de US$ 11 bilhões em 2016 para US$ 5,5 bilhões.

O estudo aponta ainda que o multilateralismo enfrenta dificuldades, com a substituição de grandes operações por ações mais focalizadas. Hoje, 4 das 10 maiores missões não são da ONU, evidenciando uma tendência de atuação distribuída entre organismos, países e coalizões.

Nova configuração de missões e foco regional

Na Somália, a terceira maior missão recebe quase 12 mil integrantes da União Africana, que ocupa grande parte das operações na região subsaariana, ainda foco de intervenções consistentes. Em 2025, a Europa assume parte das missões, ampliando o quadro de atuação fora da África.

Segundo os autores, o enfraquecimento do multilateralismo pode levar a conflitos mais intensos, caso haja menor adesão a normativas internacionais. A análise também ressalta que Estados com participação menor ganham espaço na condução de operações.

Brasil e participação brasileira

O Brasil, historicamente ativo em missões de paz, passou por mudanças no ritmo de engajamento. O país continua participando com observadores e contingentes em várias frentes, mas o volume reduzido atende a uma tendência global de redução de tropas.

Atualmente, o Brasil mantém tropas na região da África e comanda parte de uma missão da ONU na África Central. No âmbito interno, o país investe em capacitação de tropas para futuras operações, com orçamento específico para o setor em 2025.

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