- A Igreja Católica pediu perdão à comunidade tallán no norte do Peru pela apropriação de terras realizada pelo Sodalício de Vida Cristã, ordem dissolvida em abril do ano passado por determinação do papa Francisco.
- Representantes do Vaticano e da Igreja peruana se ajoelharam diante das vítimas durante cerimônia em Catacaos, na região de Piura.
- O comissário apostólico Jordi Bertomeu afirmou que o perdão vinha tarde, dizendo que deveriam ter chegado há vinte anos.
- A Conferência Episcopal Peruana informou que as ações criminosas do Sodalício contra os tallanes incluíram apropriação territorial, violência e assassinato do líder Guadalupe Zapata Sosa em dezembro de 2011, além de perseguições e falsas denúncias.
- Os territórios em disputa em Catacaos somavam quase dez mil hectares; o fundador Luis Fernando Figari vive na Itália desde 2015 e a Justiça peruana encerrou as investigações em 2024; o Vaticano abriu, em maio, um canal de escuta para definir indenizações com bens confiscados.
A Igreja Católica pediu perdão a uma comunidade indígena do norte do Peru pela apropriação de terras realizada pela extinta congregação Sodalício de Vida Cristã. A cerimônia ocorreu neste sábado em Catacaos, na região de Piura.
Representantes do Vaticano e da Igreja peruana ajoelharam-se diante das vítimas da etnia tallán durante o ato no templo local. O pedido de perdão foi feito em nome da Igreja, com a presença de autoridades religiosas.
Segundo a Conferência Episcopal Peruana, as ações do Sodalício incluíam principalmente apropriação territorial, violência e criminalização. Também houve registros de uso de manobras para tomar terras comunitárias e perseguição contra defensores das terras.
O território em disputa em Catacaos abrangeria quase 10 mil hectares, conforme o Instituto de Defesa Legal. Membros leigos da organização atuaram no setor imobiliário, com envolvimento em atividades empresariais de alto valor.
O fundador Luis Fernando Figari vive na Itália e não retornou ao Peru desde 2015, quando se iniciaram investigações por supostos abusos sexuais. A Justiça peruana encerrou o caso em 2024, sem prosseguir com novas ações.
Em maio, o Vaticano abriu um canal de escuta para definir indenizações às vítimas com os bens confiscados da congregação, anunciando um mecanismo para reparar danos aos afetados pela organização. AFP acompanhou o desdobramento.
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