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Irã executa acusado de repassar dados militares a EUA e Israel durante conflito

Primeira execução por espionagem no conflito atual revela aceleração de processos e aumento de prisões ligadas a cooperação com Estados inimigos

Trabalhador passa diante de outdoor com imagens de Ali Khamenei e Ebrahim Raisi, na praça Enghelab, em Teerã, em meio à continuidade das tensões entre Irã e Estados Unidos. (Foto: EFE/EPA/Abedin Taherkenareh.)
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  • O Irã executou neste domingo Mojtaba Kian, condenado por repassar a Estados Unidos e Israel informações sensíveis sobre a defesa do país, incluindo dados de unidades de produção militar.
  • A Justiça iraniana afirma que Kian enviou coordenadas e detalhes de locais usados na fabricação de peças do setor de defesa; ao menos uma área indicada foi atacada e destruída durante o conflito.
  • Este é o primeiro caso de espionagem diretamente ligado à guerra em curso contra os Estados Unidos e Israel a resultar em execução no Irã; execuções anteriores envolviam cooperação com inimigos em conflitos passados.
  • A Mizan, órgão judiciário, disse que Kian enviou mensagens a redes consideradas pelo regime como ligadas ao “inimigo sionista-americano” e que o processo foi concluído em menos de cinquenta dias.
  • A ofensiva interna do regime contra espionagem e colaboração com Israel se intensificou, com prisões em massa e outras execuções registradas recentemente, em meio a acusações que incluem apoio a grupos hostis.

O Irã executou neste domingo um homem condenado por repassar dados sobre defesa a Estados Unidos e Israel. Mojtaba Kian foi executado após ser considerado responsável por enviar informações sensíveis sobre unidades de produção militar e instalações de peças do setor de defesa. A Justiça iraniana divulgou o caso.

Segundo a versão oficial, mensagens foram enviadas a redes classificadas como ligadas ao inimigo. Ao menos uma área mencionada foi atacada e destruída durante o conflito. A execução é a primeira associada a crime de espionagem ocorrida durante a guerra em curso.

A Justiça afirmou que o processo ocorreu em menos de 50 dias, desde a prisão até a pena. A informação foi veiculada pela agência Mizan, ligada ao Poder Judiciário, e reproduzida pela EFE.

Ofensiva interna do regime

A ação ocorre em meio a uma ofensiva interna contra espionagem, cooperação com Israel e apoio a grupos tidos como hostis. Em março, o Judiciário avisou sobre penas de morte para suspeitos de cooperação com Estados inimigos. Também houve confisco de bens.

Nas últimas semanas, outras execuções foram registradas. Em 11 de maio, Erfan Shakourzadeh foi executado por suspeita de espionagem para a CIA e o Mossad. A Mizan afirmou que ele atuava em organização científica ligada a satélite.

Em 13 de maio, Ehsan Afrashteh foi enforcado por acusações de espionagem para o serviço de inteligência israelense. HRANA questionou as confissões, dizendo que foram obtidas sob coerção. Em 2 de maio, Yaghoub Karimpour e Nasser Bakarzadeh também foram executados.

Em abril, Mohammad Masoum Shahi e Hamed Validi foram mortos sob acusação de integrar rede ligada ao Mossad. O grupo opositor negou as acusações e descreveu as ações como repressão política no contexto da guerra.

Prisões em massa

A repressão inclui prisões em larga escala. A ONU indicou em 29 de abril que ao menos 21 pessoas tinham sido executadas no Irã desde o início da guerra, com mais de 4 mil detidas por segurança nacional. O alto comissário pediu suspensão de execuções e respeito ao devido processo.

Ahmadreza Radan, chefe da polícia, informou em 17 de maio que 6,5 mil pessoas haviam sido presas desde o início do conflito, descritas como traidores e espiões pela imprensa local. Organizações de direitos humanos apontam uso da guerra para acelerar julgamentos e ampliar acusações.

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