- O governo dos EUA aceitou desbloquear bilhões de dólares de ativos iranianos e pretende reabrir gradualmente o estreito de Hormuz, em troca de concessões sobre o programa nuclear iraniano.
- O Irã, por sua vez, diz que só discutirá questões de enriquecimento em até sessenta dias e nega ter concordado em enviar urânio enriquecido ao exterior nem aceitar teto de enriquecimento por dez anos.
- Discrepâncias de última hora levaram a dúvida sobre a assinatura de um memorando final no domingo, tornando o acordo menos provável.
- Analistas avaliam que, mesmo com promessas, não houve avanço significativo na questão nuclear desde a rodada de Genebra, e críticos reforçam ceticismo sobre os resultados.
- Israel resiste a certas partes do memorando, especialmente sobre operação no Líbano, enquanto o cenário político interno nos Estados Unidos e tensões regionais influenciam as negociações.
O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, afirma que não faz maus acordos, mas a percepção entre republicanos é de dúvidas sobre o atual entendimento com o Irã. A leitura geral aponta que Washington pode ter aceitado não alcançar por guerra o que buscava com o programa nuclear iraniano.
Na prática, surgem sinais de que o acordo depende de liberar ativos iranianos congelados, além de compromissos sobre o estreito de Hormuz. Em troca, haveria a reabertura gradual da região a tráfego comercial, revertendo impactos econômicos globais.
As negociações incluem dúvidas sobre o tipo de concessões iranianas, principalmente quanto à acumulação de urânio enriquecido. O texto enfrentou entraves de última hora, com o Irã defendendo que discussões não podem começar já com tais compromissos.
Contexto estratégico
Ali Vaez, da Crisis Group, afirma que a ala de linha-dura de Washington pressionou fortemente, o que resultou em uma série de sanções, bloqueios e impactos econômicos globais. A leitura é de que pressões não trouxeram as concessões desejadas.
Trita Parsi, do Quincy Institute, sustenta que Trump recuou para uma posição próxima à de antes do próximo cessar-fogo, antes de a decisão de bloquear portos ter sido adotada. O efeito é visto como retorno a um patamar anterior, sem avanços substanciais.
Reações regionais
O governo iraniano, em nota do ministro de Relações Exteriores, rejeita a ideia de envio de urânio enriquecido ao exterior ou de teto de enriquecimento por 10 anos. O Irã diz que discutir tais temas exige prazo de 60 dias, sem sinal de retrocesso claro.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que as negociações devem demonstrar que o país não busca arma nuclear. A diplomacia permanece como caminho para avanços, sem depender de via militar.
Implicações regionais
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu enfrenta pressão interna em ano eleitoral. O texto aponta que o recuo do uso da força pode gerar impactos políticos para Israel, com mudanças na linha de apoio dos EUA.
Israel resiste a aspectos do memorando, especialmente o arcabouço para cessar-fogo no Líbano. O país defende autorização para ações militares em resposta a qualquer ameaça, posição que diverge da tradicional linha iraniana.
Perspectivas e próximos passos
A cooperação para normalizar o tráfego no estreito de Hormuz permanece incerta. Autores citados destacam discussões entre Irã e Oman sobre a autoridade no estreito, com dúvidas sobre a viabilidade de cobranças ou tarifas.
O acordo futuro dependerá de avanços técnicos sobre o programa nuclear, além de garantias diplomáticas que persuadam países vizinhos. A comunidade internacional aguarda desdobramentos que possam reduzir tensões sem recorrer à força.
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