- Mohammad Marandi, professor ligado à Guarda Revolucionária,/classifica o Brasil como “país fraco” e afirma que não há expectativa de ajuda do Brasil para resolver o conflito no Irã.
- Ele sustenta que o Irã manterá o controle do estreito de Hormuz por tempo indefinido e diz que o país pode retornar à guerra se necessário.
- Marandi critica o Brasil por não ter impedido os Estados Unidos de ocuparem a Venezuela, dizendo que o país não tem poder de agir frente aos EUA.
- Em relação a um acordo, afirma que o Irã não transferirá urânio enriquecido e que o cessar-fogo e o direito de enriquecer são linhas vermelhas, com preparo para retomar confrontos.
- Sobre a imprensa e a vida no Irã, diz haver mais liberdade de imprensa no Irã do que no Ocidente em alguns aspectos e descreve o sofrimento econômico da população como resultado de ações externas, defendendo resistência.
Mohammad Marandi, professor da Universidade de Teerã ligado à Guarda Revolucionária, afirma que o Brasil é um país fraco e não tem condições de influenciar o conflito envolvendo o Irã. Em entrevista à Folha, ele disse não nutrir expectativas sobre o papel do Brasil.
Marandi revelou que seu pai, médico próximo ao aiatolá Khamenei, ajudou na base de uma família ligada ao regime. Ele mesmo lutou na Guerra Irã-Iraque e ingressou aos 16 anos na Basij, grupo paramilitar da Guarda Revolucionária.
Para o professor, o Irã manterá o controle do estreito de Hormuz por tempo indefinido, afirmando que a região ficará sob regras iranianas em razão de necessidades de segurança. Ele acrescentou que hostilidade de países adversários é tratada com medidas diversas.
Quando questionado sobre a situação com o Brasil, Marandi disse não acreditar que o país possa atuar de forma relevante para evitar ou limitar o conflito, citando ocupação da Venezuela pelos EUA como exemplo de limitações.
Sobre o que significa “controle” do estreito, o professor afirmou que o Irã fará as regras para quem for hostil, garantindo a segurança nacional e o fluxo marítimo. Afirmou que a diplomacia não é suficiente para alterar essa postura.
Em relação aos danos civis envolvendo escolas em ataques, Marandi sugeriu que ações militares dos EUA tiveram objetivo claro, descrevendo como parte de uma ofensiva maior. Ele citou a necessidade de cumprir objetivos estratégicos desde o primeiro dia de operações.
Sobre a possibilidade de transferência de urânio enriquecido, ele negou que o Irã abriria mão do material para terceiros, reiterando a posição de não ceder esse insumo. O tema foi apresentado como linha vermelha para negociações.
O entrevistado enumerou outras linhas vermelhas, incluindo o cessar-fogo e o direito do Irã de enriquecer urânio, afirmando que o país está pronto para retornar ao combate se necessário. Afirmou ainda que o custo humano da pressão econômica é aceitável frente às ameaças externas.
Marandi abordou impactos na população, afirmando que o governo atua para minimizar prejuízos, mas reconheceu que sanções pesadas afetam o cotidiano. Ele informou que, segundo o governo, não há espaço para recuo diante de pressões externas.
Em comparação com conflitos anteriores, o professor disse que a atual guerra é a terceira imposta pelos EUA ao Irã, mencionando fases anteriores envolvendo Saddam Hussein e ações recentes. Relatou ter testemunhado ataques químicos durante a guerra.
Sobre liberdade de imprensa no Irã, ele afirmou haver mais espaço para críticas ao governo do que em alguns contextos ocidentais, alegando maior diversidade de vozes no país em tempos de conflito. Disse que o país está sob cerco e resiste a tentativas de pressão externa.
Ao abordar o papel do Brasil, Marandi reforçou que o país dificilmente influenciará o desfecho do conflito, destacando que, mesmo com críticas ao Ocidente, não haveria garantias de mudança de posição por parte de Brasília.
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