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Combate ao ebola na RDC prejudicado por ataques e fuga de pacientes

Ataques a unidades de saúde e fuga de pacientes dificultam o combate ao ebola na RDC, com 220 mortes suspeitas e atraso na detecção elevando o risco

O surto de ebola cria crises sanitárias e econômicas na República Democrática do Congo — Foto: Reprodução/Reuters
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  • A Organização Mundial da Saúde classificou o surto da variante Bundibugyo como emergência internacional, com mais de 900 casos suspeitos e 101 confirmados até o momento.
  • O diretor-geral da OMS informou que houve 220 mortes suspeitas e que o atraso na detecção dos casos deixou as equipes de resposta em desvantagem.
  • Em Ituri, na RDC, hospitais foram alvo de ataques e pacientes fugiram; no total, 18 pessoas conseguiram escapar no sábado e outros casos foram registrados no domingo.
  • Entre os fugitivos, quatro exames já ficaram prontos: três deram negativo e um positivo para ebola, indicando circulação do vírus na comunidade.
  • Na Uganda, dois novos casos de ebola foram confirmados, elevando o total do país para sete casos.

O combate ao ebola na RDC enfrenta ataques a unidades de saúde e fuga de pacientes, agravando a resposta ao surto. Atuações na linha de frente sofrem com falta de suprimentos e violência local. A propagação é rápida, e autoridades buscam evitar novos contágios.

Na província de Ituri, ataques a um hospital de Mongbwalu ocorreram no fim de semana, facilitando a fuga de mais de 20 pacientes. O hospital sofreu novas incursões no domingo. Médicos relatam negação da doença entre moradores e resistência a medidas de isolamento.

O hospital geral de referência de Mongbwalu confirmou que 18 pacientes fugiram após invasões, com fogo em tendas usadas para isolar casos. Quatro resultados de testes dos pacientes já saíram: três negativos e um positivo para ebola.

O que chegou a ser detetado pelo médico Richard Lokodu inclui ataques repetidos no mesmo hospital e mobilização de forças de segurança para restabelecer a ordem. Segundo ele, alguns moradores querem liberar corpos para sepultamento.

Panorama global e números oficiais

A Organização Mundial da Saúde classificou o surto da variante Bundibugyo como emergência de saúde pública internacional. O diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus informou 900 casos suspeitos e 101 confirmados até o momento.

No último balanço, Tedros informou 220 mortes suspeitas no surto e destacou que o atraso na detecção de casos deixou as equipes de resposta “correndo atrás do prejuízo”.

A OMS descreve que a negação da doença é um obstáculo recorrente, com relatos de pessoas que desejam reivindicar corpos de pacientes suspeitos ou confirmados.

Contexto regional

As autoridades indicam que o surto começou em Ituri e se espalhou para as províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, áreas sob controle de facções armadas. Há relatos de colaboração com agressores para obter ganhos políticos e financeiros.

Na região vizinha, Uganda confirmou dois novos casos de ebola, elevando a contagem total para sete. A confirmação amplia a necessidade de cooperação regional em vigilância e resposta.

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