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Congo tem mais de 900 casos suspeitos de Ebola, diz OMS

Organização Mundial da Saúde informa mais de novecentos casos suspeitos de ebola no leste da República Democrática do Congo, cento e um confirmados, violência e desinformação dificultam contenção

Vírus Ebola, ilustração digital. Metrópoles
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  • Surto no leste da República Democrática do Congo tem mais de novecentos casos suspeitos de ebola, com cento e um confirmados, segundo a OMS em dezenove de maio.
  • No fim de semana, o Ministério da Saúde congoles reportou quinhentas e quatro mortes entre setecentos e sessenta e sete casos suspeitos; a OMS elevou o risco de disseminação nacional para muito alto.
  • Ituri é o epicentro, com grave crise humanitária: cerca de um quarto da população depende de ajuda e cerca de um quinto está deslocada.
  • Violência, desinformação e atraso no tratamento dificultam o rastreamento de contatos e a detecção de novos casos; houve incêndio em tendas de tratamento após conflito envolvendo enterro.
  • O vírus já chegou a Uganda, com cinco casos confirmados; a variante Bundibugyo não tem vacina nem tratamento específico, com mortalidade estimada entre trinta e cinquenta por cento.

O número de casos suspeitos de Ebola no leste da República Democrática do Congo ultrapassou 900, segundo o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Desses, 101 já foram confirmados. O epicentro fica na província de Ituri, onde a violência e a instabilidade dificultam o enfrentamento da doença.

O Ministério da Saúde congoles reportou 204 mortes entre 867 casos suspeitos até o último levantamento. A OMS elevou o risco de disseminação nacional para muito alto, com o risco regional classificado como alto e o global como baixo.

A crise humanitária na região agrava as dificuldades de contenção. Em Ituri, uma em cada quatro pessoas depende de ajuda, e uma a cada cinco está deslocada internamente. A OMS aponta que a violência força a fuga de moradores, profissionais de saúde e equipes humanitárias, prejudicando o rastreamento de contatos.

Desinformação e desconfiança também atrapalham as ações locais. Na semana passada, manifestantes incendiaram tendas de tratamento após um conflito envolvendo um enterro seguro de uma pessoa possivelmente morta pela doença.

Propagação e desafios

O vírus já ultrapassou as fronteiras, com Uganda registrando cinco casos confirmados até o fim de semana. Um cidadão americano infectado no Congo está sob tratamento no hospital Charité, em Berlim, sem necessidade de cuidados intensivos, segundo a instituição.

O surto foi oficialmente declarado em 15 de maio em Ituri, e a OMS declarou emergência de saúde pública de importância internacional no dia seguinte. Há indícios de circulação do vírus há meses sem detecção.

A atual epidemia envolve uma variante rara, Bundibugyo, para a qual ainda não existe vacina nem tratamento específico. A taxa de mortalidade estimada varia entre 30% e 50%.

A OMS reforça a necessidade de vigilância, rastreamento de contatos e apoio humanitário para a região, diante das dificuldades logísticas e do contexto de violência.

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