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EUA e Irã discutem paz: versões divergentes, Teerã pode ter a palavra final

Teerã pode impor a última palavra nas negociações com os EUA, mas divergências sobre o programa nuclear e pressões políticas elevam o risco de fracasso do cessar-fogo

Anti-US billboard in Tehran depicting Donald Trump and the strait of Hormuz, 25 May 2026.
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  • O cessar-fogo entre EUA e Irã, em vigor há seis semanas, enfrenta grandes incertezas, com Trump inicialmente considerando novas ações militares e depois sinalizando acordo em breve.
  • O Irã defende uma negociação em duas fases: na primeira, cessar-fogo de sessenta dias, abertura do estreito de Hormuz sem tarifas e desbloqueio de ativos; os EUA exigem abertura imediata e retirada total do urânio enriquecido.
  • Israel acompanha com apreensão, buscando manter liberdade de ação na região, enquanto o Irã propõe um sistema para cobrar tarifas no estreito, o que complica o acordo.
  • Sobre o programa nuclear, os EUA querem que todo o urânio enriquecido seja removido do país; o Irã resiste, sugerindo monitoramento internacional como alternativa.
  • Mesmo que haja acordo, o ritmo e os termos podem favorecer mais o Irã; o anúncio dos detalhes tem sido adiado e a violação de um acordo poderia levar ao retorno da guerra, com impactos na economia global.

O cessar-fogo entre EUA e Irã enfrenta novas incertezas, com sinais de avanços e recuos. Nos últimos dias, Trump sinalizou possível acordo, enquanto Teerã apresentou suas próprias condições e abriu divergências sobre o caminho para a paz. O impasse se mantém mesmo após semanas de negociações.

O governo americano pressiona pela abertura imediata do estreito de Hormuz, pela retirada total de urânio enriquecido e por proibição de enriquecimento. O Irã propõe uma fase inicial de 60 dias de cessar-fogo estendido, com o estreito liberado sem taxas, desbloqueio de ativos iranianos e alívio gradual de sanções.

Israel acompanha o processo com cautela, temendo impactos na sua atuação na região. Além disso, há resistência a uma solução que permita o uso livre do estreito, diante da criação de uma autoridade iraniana para comandar tráfego no Golfo e cobrar tarifas.

Se o estreito for reaberto e as sanções começarem a afrouxar, a discussão passará para o programa nuclear do Irã. Washington exige a retirada de toda a urânio enriquecido; Teerã não detalhou suas concessões, o que pode atrasar um acordo final. A parte americana já afirmou que não admite permitir que o Irã detenha armas nucleares.

A liderança iraniana, representada pelo líder supremo, tem mostrado resistência à retirada de todo o urânio enriquecido, o que alimenta o ceticismo de Washington. A possibilidade de reduzir o arsenal internacionalmente monitorado é discutida como meio-termo, mas permanece controversa.

Caso as partes avancem, o próximo estágio envolveria a nuclear do Irã. Analistas destacam que um acordo que inclua perdas e reparações pode ser proposto, mas há dúvidas sobre a disposição de Trump em ceder diante de pressões de adversários dentro de seu próprio campo político.

Mesmo com avanços, a decisão final depende de consenso entre Washington e Teerã sobre as condições de verificação, freio ao enriquecimento e pactos de segurança regional. Ocorridos os entendimentos, o tratado pode sofrer ajustes adicionais antes de qualquer assinatura.

Especialistas avaliam que o sucesso dependerá da capacidade de ambas as partes em gerenciar divergências estratégicas. O acordo seria visto como uma mudança significativa no cenário regional, com impactos econômicos globais. O desenrolar permanece incerto.

  • Rajan Menon é professor emérito de relações internacionais. Daniel R DePetris é colunista de política externa e pesquisador no Defense Priorities. Fontes incluem veículos internacionais que acompanham as negociações.

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