- O Africa Forward Summit, realizado em 11 e 12 de maio de 2026 em Nairóbi, reuniu chefes de Estado e diversos atores para discutir investimentos em transição energética e assistência financeira internacional.
- Lee White, ex-ministro do Meio Ambiente do Gabão, falou sobre mercados de carbono e ressaltou ceticismo em relação a promessas de dinheiro de doadores, defendendo que parques e ecossistemas sejam infraestrutura nacional crítica e que a floresta amazônica africana sustenta a chuva regional.
- No evento, o presidente do Quênia mencionou investimentos franceses em transporte e logística e a busca pela experiência da França em energia nuclear; White vê a transição para energia renovável como essencial, mas admite que a energia nuclear pode ser necessária para reduzir emissões e impulsionar empregos, desde que haja governança adequada.
- Em relação à mineração de minerais críticos, White defende governança sólida e respeito ao meio ambiente, citando exemplos positivos (como Ruanda) e destacando que a transformação de minerais no continente pode gerar empregos e valor local, desde que haja supervisão e normas.
- Sobre créditos de carbono e REDD+, ele aponta problemas de integridade, necessidade de sistemas nacionais de monitoramento e transparência na aplicação dos recursos; Gabão não recebeu financiamento de REDD+ readiness, apesar de ter registrado resultados, e há preocupação com promessas não cumpridas por financiadores.
O ex-ministro do Meio Ambiente do Gabão, Lee White, participou da Africa Forward Summit, realizada em Nairobi nos dias 11 e 12 de maio de 2026. O encontro reuniu chefes de Estado e atores de governo, setor privado e sociedade civil para discutir investimentos, transição energética e assistência financeira internacional.
White, naturalizado gabonês, atua há anos na área ambiental na região do Congo Basin. Em 2009 guiou as políticas do ANPN, a agência de parques nacionais do Gabão, e, após 2019, assumiu o ministério do Meio Ambiente. Ele participou do COP30 como enviado especial para a região do Congo Basin.
Investimentos, florestas e energia
Durante a conferência, autoridades francesas anunciaram acordos com países africanos para até 23 bilhões de euros em investimentos, com foco em clima e transição energética. White disse buscar clareza sobre promessas de financiamento e ressaltou a importância de gestão de parques como infraestrutura nacional.
Em relação à energia, White concorda com a transição para fontes renováveis na África, destacando o potencial do solar para áreas rurais e microcentrales hidrelétricas. Sobre a energia nuclear, ele reconhece riscos, mas defende a redução de emissões de carbono e a geração de empregos, desde que haja governança adequada.
Mineração, governança e empregos
O ex-ministro aponta que a mineração de minerais críticos pode avançar sem degradar o ambiente, desde que haja governança sólida, normas ambientais e projetos bem estruturados. Ele cita exemplos de formalização de mineração artesanal em Rwanda como modelo de investimento com ganhos sociais.
Ao falar sobre a República Democrática do Congo, White destaca o problema do extrativismo ilegal e a necessidade de transformar minerais dentro do continente para gerar mais empregos e valor agregado, sem perder de vista a proteção ambiental.
Finanças de carbono e África
White critica sistemas de créditos de carbono internacionais, citando custos desiguais entre créditos europeus e africanos e a falha de pagamento por resultados previstos no Acordo de Paris. Defende maior transparência, governança e integração dos programas de REDD+ em contas nacionais.
Ele ressalta ainda a diferença entre países de língua inglesa e francesa no manejo de terras, com impactos sobre comunidades que vivem em áreas florestais. A necessidade é de uma governança inclusiva que trate beneficiários, governos e parceiros de forma equilibrada.
Gabão, REDD+ e Perenco
Sobre o histórico do Gabão, White diz que o país recusou financiamento de readiness do REDD+ e, mesmo assim, foi o primeiro a registrar resultados do programa, embora tenha recebido pagamento limitado. Observa que há muito espaço para que financiamentos sejam reconhecidos e remunerados.
Em relação às controvérsias associadas à Perenco no Gabão, o ex-ministro afirma que muitos problemas ambientais têm origem em práticas passadas de exploração e que a responsabilidade atual envolve acordos contratuais e governança pública, não apenas a atuação da empresa.
Novo papel na região
White informou que, desde deixar a política, passou a atuar com o governo da República do Congo e com uma fundação alemã em Odzala-Kokoua. O objetivo é apoiar a gestão de áreas protegidas e a participação de comunidades locais na conservação.
Entre os temas de preocupação, ele reiterou que incidentes de violência contra comunidades indígenas em parques africanos merecem resposta firme, com avaliação e melhoria contínua das práticas de gestão.
Perspectivas
O veterano da conservação afirma a importância de transformar a extração de minerais em benefício local, com fiscalização rigorosa, monitoramento e respeito às normas ambientais. A reportagem destaca a busca por soluções que conciliem desenvolvimento, proteção ambiental e justiça social.
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