- Mais de novecentos casos suspeitos de Ebola no leste da República Democrática do Congo; 101 casos já foram confirmados, segundo a OMS.
- O Ministério da Saúde congolês informou 204 mortes entre os casos suspeitos. A OMS eleva o risco de disseminação nacional para muito alto.
- Ituri é o epicentro do surto, com agravamento da crise humanitária e alta presença de deslocados.
- Violência, desinformação e fuga de profissionais de saúde dificultam o rastreamento de contatos e a detecção de novos casos.
- A transmissão é da variante Bundibugyo, sem vacina ou tratamento específico; o vírus já chegou a Uganda, com cinco casos confirmados.
O surto de Ebola no leste da República Democrática do Congo (RDC) já ultrapassou 900 casos suspeitos, com 101 confirmações, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Dados divulgados no domingo (25/05) complementam o quadro de 204 mortes entre 867 casos suspeitos reportados pelo Ministério da Saúde congolês no dia anterior.
O epicentro permanece na província de Ituri, onde a crise humanitária complica as ações de contenção. A OMS indica que um quarto da população regional depende de ajuda humanitária e cerca de 20% está deslocada internamente, ampliando dificuldades de rastreamento de contatos e detecção precoce de novos casos.
“Violência força evacuations de profissionais de saúde e aumenta o risco de transmissão”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. Desinformação e resistência local também prejudicam as operações de campo, inclusive após conflitos envolvendo enterros seguros.
Propagação para além da RDC
Na Uganda vizinha, já são cinco os casos confirmados no fim de semana, sinal de disseminação regional. Um cidadão americano infectado no Congo permanece sob tratamento em Berlim, no hospital Charité, sem necessidade de cuidados intensivos, conforme a instituição.
O surto, oficialmente declarado em 15 de maio, em Ituri, levou a OMS a declarar emergência de saúde pública de importância internacional no dia seguinte. Existem indícios de circulação do vírus há meses sem detecção, o que aumenta a complexidade das estratégias de resposta.
A atual epidemia envolve a rara variante Bundibugyo, pela qual não há vacina nem tratamento específico disponível. A taxa de mortalidade varia entre 30% e 50%, de acordo com a OMS, ressaltando a gravidade do evento na região.
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