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Ponto de Vista por Sofia Patsch — edição #21

Bienal de Veneza: exposição central reúne 110 artistas em “In Minor Keys”, abordando traumas, espiritualidade e resistência, enquanto acende debates políticos e mudanças no júri

Getty Images A 61ª edição da Bienal de Arte de Veneza começou no dia 9 de maio de 2026
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  • Bienal de Veneza 2026 acontece até 22 de novembro, reunindo 110 artistas na mostra In Minor Keys, curadoria por Koyo Kouoh.
  • A edição foca artistas em atividade, com debates políticos sobre o retorno do pavilhão russo, a presença de Israel e a neutralidade institucional, acompanhados de protestos e saída de jurados antes da premiação.
  • Destaques no Arsenale incluem Alfredo Jaar e sua instalação sobre destruição ambiental, além de Torkwase Dyson com estruturas que exploram corpo, espaço e liberdade.
  • Nos Giardini, Álvaro Barrington apresenta Labor Day Parade ’91, marco visual ligado às origens caribenhas do artista; o pavilhão da Áustria tem o polêmico Sea World Venice com performers nus em ambientes úmidos.
  • Pavilhões destacam ainda Japão ( Grass Babies, Moon Babies), Espanha ( Los restos), Holy See Pavilion ( The Ear Is the Eye of the Soul) e Ucrânia, com vozes sobre cuidado, memória, resistência e sobrevivência diante de conflitos.

A Bienal de Veneza, aberta este ano, segue até 22 de novembro com a exposição central In Minor Keys, reunindo 110 artistas. O evento ocorre um ano após a morte da curadora Koyo Kouoh, camaronesa, e propõe diálogo entre traumas históricos, espiritualidade e resistência.

O espaço do Arsenale transmite pausas de contemplação, com jardins internos que convidam à escuta. A curadoria mantém o tom contundente, sem revisões históricas, mas com foco em artistas ainda ativos na contemporaneidade.

Entre os destaques, Alfredo Jaar apresenta uma instalação vermelha que enumera minerais e comenta destruição ambiental. Torkwase Dyson revela Liquid A Place, estruturas de aço e vidro sobre corpo, espaço e liberdade.

Kaloki Nyamai exibe três grandes pinturas dobráveis, explorando reparação histórica pela costura. Seyni Awa Camara trabalha esculturas em argila que dialogam com o humano e o animal em um universo onírico.

Nos Giardini, Álvaro Barrington atrai multidões com Labor Day Parade ’91, um caminhão coberto de imagens que remetem à origem caribenha do artista. O conjunto ficou entre os pontos mais fotografados.

Destaques da mostra

O pavilhão da Áustria, Sea World Venice, gera debates ao apresentar performers nus em espaços úmidos, mesclando parques aquáticos decadentes a rituais. A instalação provoca reflexões sobre Veneza como cidade submersa.

O Japão apresenta Grass Babies, Moon Babies, instalação de Ei Arakawa-Nash que envolve o público em cuidados coletivos e parentalidade, com fraldas de boneca trocadas por poemas-fralda digitais via QR code.

Pavilhões em foco

No pavilhão espanhol, Los restos reúne cartões-postais de mercados de pulga para discutir memória, turismo e história coletiva sem hierarquia de itens. O Holy See Pavilion oferece The Ear Is the Eye of the Soul, uma experiência sonora guiada por headphones geolocalizados.

O pavilhão da Ucrânia, no Palazzo Contarini Polignac, aposta em obras sobre sobrevivência e resiliência, de modo sensível e humano. O conjunto busca provocar reflexão sobre o conflito em andamento.

Resta saber se esta edição conseguirá materializar as mudanças propostas, ainda que sutilmente, em meio a uma curadoria que privilegia o tema das minor keys. A exposição segue em Veneza e promete novidades até o encerramento.

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