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Por que presidentes do Brasil não falam inglês: fatores culturais e educativos

Baixa fluência em inglês entre presidentes brasileiros contrasta com a prática de vizinhos, onde o idioma é ferramenta-chave de diplomacia

Lula, com fones de ouvido para tradução simultânea, durante evento na Alemanha, em abril deste ano. (Foto: EFE/EPA/HANNIBAL HANSCHKE)
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  • No Brasil, desde a redemocratização, apenas FHC aparece com notável facilidade em falar inglês; há menções a Collor nesse contexto.
  • Registros indicam que José Sarney discursou em inglês em 1986 na Casa Branca, com pronúncia pouco fluente; Dilma Rousseff lê pronunciamentos em inglês, mas com dificuldades, e Lula e Bolsonaro já reconheceram limitações na língua.
  • Em outros países da região, diversos presidentes falam inglês quando necessário, como Mauricio Macri (Argentina), Luis Lacalle Pou (Uruguai) e líderes do Peru, Equador e Colômbia (Santos, Duque e Uribe), alguns com formação em universidades americanas.
  • No Brasil, a Apex alterou o estatuto para retirar a exigência de fluência em inglês; houve afastamento de um líder por não cumprir esse requisito, e o presidente atual afirma que o inglês é útil, mas não indispensável.
  • Dados de proficiência mostram o Brasil em 75º lugar entre 123 países no Índice de Proficiência em Inglês; cerca de 5% da população tem algum conhecimento e 1% é fluente, refletindo um cenário estável há anos.

Desde a redemocratização, em 1985, poucos presidentes brasileiros demonstraram fluência em inglês em discursos oficiais. Entre eles, FHC é apontado como o caso mais destacado, com menção honrosa a Collor em registros históricos.

Há registros de José Sarney discursando em inglês durante visita à Casa Branca, em 1986, iniciando o pronunciamento com a própria leitura do texto. A pronúncia, porém, foi vista como pouco natural. Dilma Rousseff também recorre a falas lidas em outro idioma, com falhas perceptíveis na fala espontânea. Lula reagiu a pergunta em inglês em Washington, dizendo que não entendi seria demais. Bolsonaro já reconheceu não dominar o idioma. Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek também não tinham proficiência nesse idioma.

No cenário regional, o inglês aparece com mais naturalidade em países vizinhos. No Peru, ex-presidentes como Pedro Pablo Kuczynski e Alejandro Toledo tiveram contato frequente com o inglês. No Equador, líderes do Executivo no século 21, incluindo Guillermo Lasso e Daniel Noboa, possuem formação que inclui cursos no exterior. Macri, na Argentina, discursou em inglês em diversas ocasiões. Colômbia com Santos, Duque e Uribe contou com formação em grandes universidades americanas.

No Brasil, a proficiência em inglês não é tradição entre líderes. Recentemente, o chefe da Apex Brasil, Jorge Viana, alterou o estatuto do órgão para retirar a exigência de fluência em inglês para o cargo, tendo já sido afastado por não cumprir o requisito. Ele afirmou publicamente que, para sua função, o inglês é útil, mas não indispensável.

Contexto educacional e regional

A baixa fluência pode impactar negociações internacionais, uma vez que o inglês é língua comum na diplomacia global. No Brasil, dados de avaliações internacionais indicam que a proficiência entre a população é baixa, com cerca de 5% tendo algum conhecimento e apenas 1% fluente. A posição regional classifica o país entre os mais baixos da América Latina em proficiência.

Perspectivas de especialistas

Especialistas destacam que o inglês funciona como capital simbólico, abrindo portas para oportunidades acadêmicas e negociações internacionais. Contudo, a proficiência não deve ser o único critério para avaliar liderança, cuja atuação envolve capacidades diplomáticas, visão estratégica e representação dos interesses nacionais.

Futuro da diplomacia brasileira

Para a diplomacia econômica e as relações multilaterais, o domínio básico do inglês é considerado importante, especialmente em contextos de negociações internacionais e participação em redes globais. Ainda assim, intérpretes permanecem relevantes em discursos oficiais e na formalização de acordos.

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