- Olfat al-Kurd, pesquisadora de campo da B’Tselem, relata impactos profundos nas vidas de mulheres em Gaza desde o início da ofensiva de outubro de dois mil e vinte e três, incluindo a destruição de casa e deslocamento para o Egito em dois mil e vinte e quatro.
- Segundo a ONU, mais de trinta e oito mil mulheres e meninas foram mortas e cerca de onze mil ficaram com deficiências permanentes durante o conflito.
- As mulheres tornaram-se únicas provedoras, convivem com a perda de proteção e moradia, e a infraestrutura de saúde e educação em Gaza entrou em colapso.
- O deslocamento foi longo: Shuja’iyya, al-Shifa, al-Mughraqa, Khan Younis e Rafah, até a fuga para o Egito, com abrigo precário, filas por água, alimento e higiene.
- Testemunhos ressaltam impactos na maternidade, nutrição e vida cotidiana, com relatos de sobrevivência, medo constante e apelo por apoio internacional.
Olfat al-Kurd, pesquisadora de campo da B’Tselem, relata a perseguição vivida por mulheres em Gaza desde o início do conflito em outubro de 2023. O relato traz detalhes de deslocamentos, destruição de casas e a permanência de traumas que persistem após a fuga para o Egito em 2024. A testemunha originalmente viveu no bairro de Shuja’iyya, em Gaza City, até perder familiares e enfrentar uma vida marcada pela violência.
Segundo Olfat, a ofensiva israelense devastou a casa da família, deixando mortos e feridos sob os escombros. Ela descreve seis deslocamentos sucessivos antes da saída definitiva para o Egito, com passagem por hospitais, abrigos lotados e áreas de risco, em meio a racionamento de água, comida e remédios.
A pesquisadora participou de trabalhos que documentam violações de direitos humanos em Gaza antes do que descreve como genocídio. Em suas palavras, as condições de vida para as mulheres vão além da necessidade imediata, atingindo aspectos como maternidade e capacidade de sustentar a família.
Em depoimentos coletados no âmbito de um relatório da B’Tselem, mulheres ainda em Gaza relatam impactos profundos na saúde, na nutrição de crianças e na continuidade de cuidados médicos. Entre os casos mencionados estão situações de violência em centros de distribuição de ajuda, que resultaram em traumas adicionais.
O relato destaca ainda o impacto da escassez de serviços básicos: saneamento inadequado, pouca água, dificuldade de acesso a alimentos e interrupção de serviços de saúde e educação. Crianças enfrentam riscos de desnutrição e interrupções no acompanhamento de gravidez.
A situação para gestantes e lactantes é descrita como particularmente crítica, com dificuldades para realizar consultas médicas e manter a alimentação adequada. Famílias que conseguiram escapar permanecem expostas a danos psicológicos significativos.
O conjunto de relatos compõe um retrato de mulheres que, segundo a B’Tselem, estão entre as mais afetadas pelo que a organização classifica como genocídio. As testemunhas enfatizam a necessidade de atenção internacional e de medidas para impedir a destruição sistemática de infraestrutura e de meios de subsistência.
Contexto adicional aponta que a crise humanitária em Gaza envolve interrupção de serviços essenciais, ataques a infraestruturas e um colapso da rede de suporte social. A organização de direitos humanos continua coletando depoimentos para documentar o impacto sobre mulheres e famílias.
Entre na conversa da comunidade