- A Kenya Nuclear Power and Energy Agency (NuPEA) anunciou planos de construir a primeira usina nuclear no país, em Siaya County, às margens do lago Victoria, com capacidade de 2.000 megawatts e custo estimado de KSh500 bilhões (aproximadamente $3,85 bilhões).
- Localizados por protestos de moradores, os residentes pedem participação ampla e consentimento informado antes de avançar com o projeto, conforme a NuPEA disse ter ouvido as vozes da comunidade.
- A proposta já enfrentou críticas de grupos como o Power Shift Africa, que argumenta que o foco deve ficar em fontes renováveis já disponíveis, mais seguras e rápidas de levar energia às pessoas.
- A iniciativa foi originalmente destinada a Kilifi, no litoral, mas foi transferida para Siaya após resistência local; a NuPEA tem realizado consultas com a comunidade na região e buscado apoio político.
- O debate ocorre em meio a promessas do presidente William Ruto de assegurar a segurança do projeto, enquanto especialistas alertam para possíveis impactos ambientais no lago Victoria, preservando a pesca e os meios de subsistência locais.
A Kenya anunciou há cerca de um ano planos para a construção de sua primeira usina nuclear, prevista para ficar em Siaya County, às margens do Lago Vitória. Após protestos locais, a Nuclear Power and Energy Agency (NuPEA) afirmou que lançará uma campanha educativa robusta, transparente e multilayer para esclarecer dúvidas da população.
A usina teria potência estimada de 2.000 megawatts e custo de aproximadamente 500 bilhões de xelins kenianos (cerca de 3,85 bilhões de dólares). A NuPEA disse que o projeto não avançará sem consentimento amplo e informado da comunidade de Siaya.
Protestos de moradores na região ocorreram dois dias antes das declarações oficiais. A oposição envolve preocupações com contaminação nuclear e riscos ecológicos para o Lago Vitória, fonte de alimentação e renda para milhares de pessoas.
Diálogo com a comunidade e marcos regulatórios
A NuPEA afirmou que a participação pública não é apenas formalidade, mas direito constitucional. A agência destacou que buscará engajamento com as populações locais para esclarecer impactos, segurança e medidas de mitigação.
O governo já tem o respaldo do presidente William Ruto, que garantiu a segurança e o potencial energético do projeto. Ainda assim, críticos apontam que a infraestrutura nuclear pode exigir longo tempo até a operação comercial.
Críticas e perspectivas de energias renováveis
O think tank Power Shift Africa contestou a viabilidade de deslocar recursos de fontes renováveis já disponíveis no país. A organização argumenta que soluções solares e outras fontes limpas poderiam suprir demanda com menor risco ambiental.
Mohamed Adow, diretor da PSA, afirmou que a construção de uma usina nuclear pode levar mais de uma década para ficar pronta. Em contrapartida, um parque solar de 55 MW em Garissa levou apenas um ano para ficar em funcionamento.
A iniciativa, que inicialmente seria implantada em Kilifi, no litoral, foi deslocada para Siaya após oposição local. A NuPEA já realizou consultas com comunidades de Siaya e manteve ações de apoio político para o projeto nuclear.
O tema também figura em encontros com autoridades nacionais. Delegação da NuPEA, junto com a Kenya Electricity Generating Company (KenGen), reuniu-se com o Presidente da Assembleia Nacional para discutir a Lei Reguladora Nuclear e a cooperação institucional.
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