- No Reino Unido, o número de fazendas leiteiras intensivas que confinementa o gado indoor aumentou, passando de cerca de 70 em 2015 para pelo menos 180 hoje.
- Também houve duplicação no total de “mega fazendas” com mais de 700 vacas, totalizando quarenta unidades, sendo as maiores com até 2.600 animais.
- O governo não exige licença ambiental para grandes unidades de laticínios, o que dificulta saber exatamente quantas existem e onde estão localizadas.
- A escalada de fazendas factory-style surge em meio a custos crescentes de fertilizante, combustível e alimento, com alguns produtores vendendo leite por 28p por litro, mesmo custando arredondadamente 40p para produzir.
- Entidades do setor e especialistas alertam para impactos ambientais e de bem-estar animal, ao mesmo tempo em que defensores de agricultura mais sustentável pedem políticas públicas e maior transparência nas cadeias de suprimento.
A escalada de fazendas de laticínios com confinamento permanente de vacas, conhecidas como “battery cows”, ganha espaço no Reino Unido conforme os agricultores enfrentam custos crescentes e vendem leite abaixo do custo de produção. Dados da investigação do Bureau of Investigative Journalism apontam que o número de unidades intensivas com acesso externo negado já supera 180, frente a cerca de 70 em 2015.
A mesma apuração revela o aumento de “mega fazendas” com mais de 700 vacas, totalizando 40 unidades. Entre elas, as maiores chegam a 2.600 animais. Além disso, 16 dessas mega fazendas confinam pelo menos mil vacas. O mapa aponta Devon, Cornualha, Dorset e Cheshire como áreas com maior concentração.
A regulação ambiental dessas grandes unidades não é uniforme: hoje, grandes fazendas de laticínios não exigem licença ambiental, o que dificulta o monitoramento governamental sobre quantidade e localização. Em comparação, granjas de aves e suínos já possuem controles específicos.
O cenário econômico é um dos motores da mudança. Falhas na cadeia de suprimentos — fertilizantes, combustíveis e ração — elevaram custos, levando algumas fazendas a vender leite por cerca de 28p por litro, quando o custo de produção fica próximo de 40p.
Farmers dizem sentir a pressão para ampliar a produção diante das margens apertadas. Um produtor ouvido pela reportagem pediu anonimato, afirmando que é “quase obrigatório” adotar sistemas mais intensivos para manter o negócio.
Contexto e impactos
A investigação mapeou 42 unidades de produção de grande porte no país, com regiões produtoras de leite mais afetadas nos distritos listados. Em alguns casos, grandes empresas processam para marcas nacionais, com ganhos significativos para os envolvidos na cadeia.
Especialistas e organizações de defesa animal e ambiental pedem reavaliação regulatória para evitar impactos negativos em bem-estar animal e poluição. Defra reconhece a necessidade de abordar a poluição e planeja explorar abordagens proporcionais que maximizem benefícios ambientais sem onerar demais os produtores.
Representantes setoriais defendem que padrões de bem-estar e qualidade são elevados na indústria britânica e que o setor precisa manter a viabilidade econômica para sustentar investimentos. Supermercados afirmam seguir padrões de bem-estar e manter cadeias de fornecimento transparentes.
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