- Andrey Zvyagintsev enviou uma mensagem direta a Vladimir Putin pedindo que ouça o povo russo e ponha fim à guerra na Ucrânia.
- O pedido veio após ele receber o Grand Prix em Cannes pelo filme Minotaur, apresentado no sábado à noite na Riviera francesa.
- O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que não repassará a mensagem e afirmou que ninguém “vai fazer isso”.
- Zvyagintsev respondeu que não tem voz na questão, assim como cem milhões de cidadãos russos, acusando Putin de nunca ter ouvido o povo.
- O Kremlin não comentou o assunto; a fala gerou críticas na Ucrânia, que viu o apelo como uma repetição de pedir ao tsar em vez de exigir ações diretas.
Andrey Zvyagintsev, laureado diretor russo exilado, enviou mensagem direta a Vladimir Putin pedindo que encerre o conflito na Ucrânia. A requisição ocorreu após ele ter recebido o Grand Prix em Cannes, na cerimônia de premiação deste fim de semana. A mensagem foi encaminhada por canais oficiais à assessoria de imprensa do presidente.
Zvyagintsev, em discurso na Riviera francesa ao vencer com Minotaur, pediu que o líder russo ponha fim ao que chamou de violência desnecessária e “massacre de jovens”, acrescentando que o mundo observa o desfecho do conflito. Ele indicou que o apelo deveria ser repassado pela comitiva de Putin.
A assessoria de imprensa de Putin, representada pelo porta-voz Dmitry Peskov, recusou-se a transmitir o apelo. Em coletiva de imprensa, Peskov afirmou que o diretor de filmes premiados não tem autorização para pedir paz, argumentando que ele não condenou o que descreve como massacre no Donbas.
Em resposta enviada a Peskov, Zvyagintsev reconheceu que não possui voz oficial sobre o tema, mas sustentou que muitos russos também não são ouvidos. Questionou a hipocrisia de responder com “onde você esteve nos últimos oito anos” e reiterou o anseio por uma solução imediata para a guerra.
Repercussões no cenário internacional
A campanha de Zvyagintsev divide opiniões, com críticas na Ucrânia sobre a forma de sustentar uma pressão pública para mudanças, em meio a debates sobre o tom de apelo. Minotaur, que estreou em Cannes com críticas favoráveis, é o primeiro filme do cineasta desde uma grave infecção por Covid-19 que o levou ao exílio na França.
O filme é uma adaptação de The Unfaithful Wife, de Claude Chabrol, ambientada em Krasnoborsk, cidade ficcional na Rússia. A história acompanha um executivo prestes a demitir funcionários que devem integrar o esforço de guerra, ao descobrir que sua esposa tem um caso extraconjugal.
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