- O governo dos Estados Unidos planeja transferir cidadãos americanos expostos ao ebola para o Quênia, em vez de repatriá-los aos EUA para monitoramento e tratamento.
- A mudança marca um afastamento da prática de governos anteriores, que traziam profissionais de saúde expostos para os EUA; recentemente houve envio de um médico com sintomas para hospital na Alemanha e de outros seis para monitoramento na Alemanha e na República Tcheca.
- O governo tem cortado ações de vigilância epidemiológica e cadeia de suprimentos médica, e acionou a lei sanitária Title 42 para restrições de entrada de imigrantes que passaram pela RDC, Uganda ou Sudão do Sul.
- O plano envolve treinar dezenas de agentes do Serviço de Saúde Pública para atender americanos de alto risco no Quênia e montar instalação de quarentena e tratamento coordenada entre os Departamentos de Estado, Defesa e Saúde.
- A OMS informou que o surto na República Democrática do Congo já infectou mais de mil pessoas e matou cerca de duas centenas, com Ituri como epicentro; a taxa de mortalidade do vírus é alta, mas tratamento precoce aumenta as chances de sobrevivência.
O governo dos Estados Unidos estuda transferir para o Quênia cidadãos americanos expostos ao vírus Ebola, em vez de repatriá-los para os EUA para monitoramento e tratamento. A informação foi publicada pelo New York Times, com base em três fontes próximas ao plano. A mudança difere do que ocorreu em surtos anteriores, que priorizavam o retorno ao país.
De acordo com as fontes, dezenas de agentes do Serviço de Saúde Pública dos EUA estão sendo treinados para atender americanos de alto risco no Quênia. Inicialmente, a ideia era apenas monitorar no país africano e encaminhar para a Europa quem apresentasse sintomas.
Novo desenho de resposta
Agora o governo avalia também o tratamento no Quênia, com a proximidade de instalar uma unidade de quarentena e atendimento, em coordenação entre os Departamentos de Estado, Defesa e Saúde. Cada caso seria analisado individualmente quanto à necessidade de atendimento mais avançado.
A medida marca a divulgação de ações mais abrangentes fora dos EUA. Em paralelo, profissionais de saúde norte-americanos já conduzem esforços para lidar com pacientes expostos, inclusive com encaminhamentos a instalações internacionais quando cabível.
Contexto do surto
O surto atual da RDC avança com o epicentro na região de Ituri. A Organização Mundial da Saúde declarou a situação como emergência de saúde pública de interesse internacional. O vírus Ebola apresenta taxa de mortalidade em torno de 50%, mas o tratamento precoce pode melhorar significativamente as chances de recuperação.
Dados da OMS indicam que o surto, causado pela variante Bundibugyo, já infectou mais de mil pessoas e provocou mais de 200 óbitos. A escalada ocorre em meio a conflitos locais e mobilidade regional, fatores que dificultam o controle da doença.
A rede de vigilância epidemiológica dos EUA sofreu ajustes recentes, com cortes de ajuda que impactaram cadeias de abastecimento médico. Recentemente, o governo também acionou a lei sanitária Title 42 para restringir entrada de imigrantes ligados à RDC, Uganda ou Sudão do Sul.
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