- O livro-reportagem Os últimos soldados da Guerra Fria, de Fernando Morais, serve de base para a notícia e ganhou adaptação para filme com Wagner Moura.
- Na Flórida, o ex-presidente cubano Raúl Castro, então ministro da Defesa, e mais cinco cubanos foram indiciados por homicídio e destruição de aeronaves ligadas a um ataque sobre o Estreito da Flórida em 1996.
- Em fevereiro de 1996, um jato MIG-29 cubano derrubou dois aviões bimotores Cessna 337, matando quatro tripulantes e deixando outra pessoa sobrevivente.
- Morais afirma ter visto a indiciamento como uma “manifestação delirante” do presidente Donald Trump e descreve no livro a atuação de agentes cubanos infiltrados em grupos de oposição nos Estados Unidos.
- A obra levou treze anos para ficar pronta, e sua conclusão ocorreu após a venda dos direitos para cinema; Morais também colaborou com filmes derivados de casos cubanos, como Wasp Network.
Raúl Castro, ex-presidente de Cuba e atual investigado, foi indiciado nos EUA por homicídio e destruição de aeronaves, em conexão com a derrubada de dois aviões em fevereiro de 1996. O caso ganha contorno literário no livro-reportagem de Fernando Morais, que também resultou em filme com Wagner Moura.
O livro Os últimos soldados da Guerra Fria, publicado em 2011, dedica-se a retratar a crise que envolveu Washington e Havana após o fim da União Soviética. A acusação mira Raúl Castro e outros cinco cubanos, em processo registrado em uma corte federal da Flórida.
Entre 1998 e 2011 Morais mergulhou em pesquisas, viagens e arquivos para compor a narrativa. O esforço ganhou fôlego com interesse de produtores e a venda de direitos para cinema, financiando a conclusão da obra, publicada pela Companhia das Letras.
Contexto político e militar
O episódio central envolve o derramamento de sangue após o abatimento de dois Cessna 337, sobre o Estreito da Flórida, em 24 de fevereiro de 1996. Em Havana, a reação foi de condenação internacional e questionamentos sobre espaço aéreo.
A investigação retrata a atuação de cubanos infiltrados entre opositores nos EUA, além de desvendamentos sobre a Rede Vespa, organização que envolveu pilotos e outros agentes. Cinco membros foram presos, incluindo alguns cubanos exilados.
A obra registra também a disputa entre autoridades cubanas e norte-americanas, com diferentes leituras sobre o local exato dos incidentes e a validade de determinadas perícias. O livro não classifica o ocorrido como um único ato, mas como parte de uma ampla disputa.
Relações com o cinema e depoimentos
A adaptação cinematográfica, com Rodrigo Teixeira como produtor, ajudou a viabilizar o livro. Em 2019, Morais participou de produção de Wasp Network, filme de Olivier Assayas, com Wagner Moura no elenco, reforçando a ligação entre literatura e cinema.
Morais relata que, mesmo diante de críticas, manteve o rigor histórico da obra e cogitou pedir a reabertura de investigações pela CIDH, sem avançar diante de prazos legais. O autor mantém a leitura do caso como um estudo de espionagem e diplomacia.
Partes da narrativa e episódios
O livro acompanha a trajetória de agentes cubanos que operavam em solo norte-americano, incluindo desertores que se integraram a grupos anticastristas. O foco está na estratégia de infiltração, vigilância e repressão de atividades contrárias ao regime cubano.
A partir de relatos de campo, Morais descreve o impacto da crise na política externa dos EUA, bem como a visão de Havana sobre o episódio. A obra alterna episódios de espionagem com a vida de figuras públicas envolvidas.
Encontros com os Castro
O autor relembra encontros com Raúl e Fidel Castro, ocorridos em Havana durante a divulgação do livro. Em um momento, Fidel expressou interesse em ler a obra, destacando a relevância do tema para o debate histórico.
Morais narra também a passagem de figuras estrangeiras pela ilha, incluindo visitas de ex-presidentes brasileiros durante cerimônias públicas. O relato dá tom humano aos personagens envolvidos na complexa crise.
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